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Agronegócio
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Brasil enfrenta novos desafios no comércio global de alimentos

Evento em São Paulo discute adaptabilidade do agronegócio às exigências internacionais

Gabriel Azevedo20 de junho de 2026 às 09:10
Brasil enfrenta novos desafios no comércio global de alimentos

Novas exigências ambientais, mecanismos de rastreabilidade e barreiras comerciais estão reformulando as normas do comércio internacional. Nesse contexto, especialistas questionam: está o Brasil pronto para atender as demandas globais?

Esse foi o foco central de um debate ocorrido na última quarta-feira (17), em São Paulo, que reuniu representantes do agronegócio, acadêmicos e profissionais do mercado.

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Nós sabemos elaborar legislações, mas a implementação ainda é um desafio

Leonardo Munhoz, advogado e especialista em direito agroambiental.

Munhoz, que lançou seu livro "Restrições Ambientais ao Comércio Internacional e o Direito: O Agronegócio do Brasil está preparado?" durante o evento, destacou as dificuldades enfrentadas pelo Brasil em criar uma governança eficaz para normas ambientais internacionais.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Ingo Plöger, ressaltou que a capacidade do Brasil de produzir alimentos em grande escala gera pressões por proteções em vários mercados, alertando sobre a concorrência em termos de preços.

Empresas brasileiras atendem em grande parte às exigências internacionais, mas pequenos e médios produtores enfrentam dificuldades para se adaptar.

Desafios da Inclusão

Guilherme Bastos, coordenador do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV Agro, destacou que muitos exportadores brasileiros cumprem as exigências, mas a inclusão de produtores menores nas cadeias de exportação é uma questão crítica.

Com a elevação das exigências, pequenos produtores podem se ver forçados a focar apenas no mercado interno.

Proteção ou Protecionismo?

A lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR) é um fator que está moldando a dinâmica do comércio global, proibindo a importação de produtos de áreas desmatadas após dezembro de 2020, afetando produtos brasileiros como soja e café.

Munhoz questiona se essa legislação é uma genuína preocupação ambiental ou uma forma de protecionismo, observando que as questões ambientais se tornaram uma prioridade nas negociações comerciais internacionais.

Brasil tem potencial para continuar na liderança do comércio global de alimentos, mas precisa aprimorar a governança e a rastreabilidade.

Os especialistas concordam que, apesar dos desafios, o Brasil ainda possui condições favoráveis para se manter relevante no comércio de alimentos, mas deve transformar suas fortalezas, como a agricultura tropical e a rigorosa legislação florestal, em vantagens competitivas reconhecidas.

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