Evento em São Paulo discute adaptabilidade do agronegócio às exigências internacionais

Novas exigências ambientais, mecanismos de rastreabilidade e barreiras comerciais estão reformulando as normas do comércio internacional. Nesse contexto, especialistas questionam: está o Brasil pronto para atender as demandas globais?
Esse foi o foco central de um debate ocorrido na última quarta-feira (17), em São Paulo, que reuniu representantes do agronegócio, acadêmicos e profissionais do mercado.
"Nós sabemos elaborar legislações, mas a implementação ainda é um desafio
Munhoz, que lançou seu livro "Restrições Ambientais ao Comércio Internacional e o Direito: O Agronegócio do Brasil está preparado?" durante o evento, destacou as dificuldades enfrentadas pelo Brasil em criar uma governança eficaz para normas ambientais internacionais.
O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Ingo Plöger, ressaltou que a capacidade do Brasil de produzir alimentos em grande escala gera pressões por proteções em vários mercados, alertando sobre a concorrência em termos de preços.
✨ Empresas brasileiras atendem em grande parte às exigências internacionais, mas pequenos e médios produtores enfrentam dificuldades para se adaptar.
Guilherme Bastos, coordenador do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV Agro, destacou que muitos exportadores brasileiros cumprem as exigências, mas a inclusão de produtores menores nas cadeias de exportação é uma questão crítica.
Com a elevação das exigências, pequenos produtores podem se ver forçados a focar apenas no mercado interno.
A lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR) é um fator que está moldando a dinâmica do comércio global, proibindo a importação de produtos de áreas desmatadas após dezembro de 2020, afetando produtos brasileiros como soja e café.
Munhoz questiona se essa legislação é uma genuína preocupação ambiental ou uma forma de protecionismo, observando que as questões ambientais se tornaram uma prioridade nas negociações comerciais internacionais.
✨ Brasil tem potencial para continuar na liderança do comércio global de alimentos, mas precisa aprimorar a governança e a rastreabilidade.
Os especialistas concordam que, apesar dos desafios, o Brasil ainda possui condições favoráveis para se manter relevante no comércio de alimentos, mas deve transformar suas fortalezas, como a agricultura tropical e a rigorosa legislação florestal, em vantagens competitivas reconhecidas.
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