Estrutura na Argentina permitirá produção de até dez milhões de doses em emergência sanitária.

O Brasil terá acesso a um banco com antígenos congelados suficientes para a produção de até dez milhões de doses de vacina contra a febre aftosa em casos de emergência sanitária. Esta estrutura será localizada em um laboratório em Garín, na região metropolitana de Buenos Aires, Argentina, e resulta de uma parceria entre o governo brasileiro, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Biogénesis Bagó.
Desde 2024, o Brasil é reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação, porém, a vigilância sanitária continua a ser fundamental para evitar a reintrodução do vírus, protegendo tanto o rebanho quanto as exportações de carne do país.
Em entrevista ao Giro do Boi, Fabrício Bortolanza, gerente de Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios Brasil da Biogénesis Bagó, ressaltou que os antígenos armazenados permitem uma resposta rápida caso um foco da doença seja detectado. "Desde a detecção de um foco de febre aftosa e o acionamento desse banco, o antígeno é descongelado. A vacina é formulada em até quatro dias e disponibilizada para vacinação no local em até sete dias", explicou.
✨ O acordo prevê o armazenamento de antígenos, que serão utilizados para formular a vacina caso uma emergência seja identificada, sem manter vacinas prontas para aplicação.
Bortolanza também explicou que a escolha de manter os antígenos congelados se dá porque uma vacina pronta poderia perder a validade sem utilização. Isso garante que a vacina será formulada somente em resposta a um foco identificado.
A existência do banco de antígenos é parte de um conjunto de recursos necessários para uma resposta eficaz. O laboratório deve ter insumos e equipamentos à disposição para iniciar a produção imediatamente quando necessário.
Bortolanza destacou que, além do banco de antígenos, insumos como frascos e tampas devem estar prontos. "Eu preciso ter todos esses insumos de prontidão", afirmou.
As potenciais consequências econômicas da febre aftosa são uma preocupação, pois um foco poderia acarretar restrições comerciais severas. Bortolanza observou que as perdas decorrentes de um surto poderiam ser imensas, afetando não apenas as exportações de carne, mas toda a cadeia produtiva.
Ele enfatizou que a resposta à febre aftosa não depende apenas de ter uma vacina à disposição, mas de uma identificação rápida e precisa do agente patológico. "O principal desafio hoje seria a velocidade na caracterização desse vírus", concluiu.
Confira a entrevista completa no site Giro do Boi.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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