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Agronegócio
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Brasil implementa rastreabilidade para exportações de produtos pecuários

Nova medida busca atender exigências da União Europeia sobre antimicrobianos.

Giovani Ferreira28 de junho de 2026 às 11:15
Brasil implementa rastreabilidade para exportações de produtos pecuários

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil irá implementar um novo sistema de rastreabilidade e fiscalização a partir de 1º de julho, visando a produção pecuária e alinhando-se às exigências da União Europeia sobre a proibição do uso de antimicrobianos.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) ainda não se pronunciaram oficialmente sobre as datas e critérios do novo sistema que entra em vigor na próxima semana.

A União Europeia já havia sinalizado em 2019 sua intenção de barrar o uso de antimicrobianos na produção animal, culminando na desqualificação do Brasil para exportações.

Rastreabilidade na pecuária

Observa-se que o setor avícola poderá mais facilmente implementar as medidas de rastreabilidade, uma vez que seu ciclo de produção é curto, com duração média de 40 dias entre o nascimento e o abate. Os sistemas de integração na avicultura favorecem o monitoramento eficaz dos processos produtivos.

No entanto, a suinocultura enfrenta um desafio maior, com um ciclo que pode levar até 150 dias, o que poderá atrasar a adequação até o final de 2026.

Já para a carne bovina, as exigências de monitoramento desde o nascimento dos animais podem resultar em um mínimo de dois anos de vendas suspensas devido ao longo ciclo produtivo, que varia entre 24 a 36 meses.

Desafios e propostas

Recentemente, foi publicado um Protocolo de Certificação específico para bovinos, o qual estabelece diretrizes para assegurar que os animais não tenham recebido antimicrobianos, embora a adesão seja voluntária. Além disso, uma portaria proibiu o uso de substâncias destinadas ao tratamento humano, embora com um período de transição.

A lista de antimicrobianos restritos pela União Europeia é extensa, incluindo não apenas antibióticos, mas também ionóforos, que são comuns na alimentação animal para melhorar a conversão alimentar. O setor pecuário brasileiro propôs uma fase de transição, mas as solicitações foram rejeitadas pela UE, que exige documentação rigorosa em todas as etapas do processo produtivo.

Especialistas sugerem que a criação de 'fazendas exclusivas' que sigam as diretrizes da UE poderia ser uma solução viável e economicamente compensadora para os produtores brasileiros.

De acordo com o zootecnista Rogério Coan, a percepção da UE sobre o Brasil é diferente da que possuem em relação à Argentina e Uruguai, que têm demonstrado um controle mais rigoroso com relação ao uso de medicamentos veterinários, respeitando os períodos adequados de carência.

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