Decisão dos produtores depende do plantio da soja e das condições climáticas.

O Brasil pode ampliar a área destinada ao cultivo de algodão para a safra 2026/27, impulsionado por preços mais atrativos e um cenário internacional de oferta ajustada.
Entretanto, a decisão dos produtores dependerá do andamento do plantio da soja e das condições climáticas nas principais regiões de cultivo, fatores que determinarão a janela disponível para a segunda safra.
✨ A valorização recente do algodão aumentou o interesse pela cultura, mas a soja terá papel crucial nessa decisão.
Conforme dados da Consultoria Agro do Itaú BBA, o progresso no beneficiamento da safra atual já levou muitos produtores a definirem as sementes para o próximo ciclo. Com uma parte significativa do algodão sendo plantada após a oleaginosa, atrasos no plantio da soja podem restringir a janela ideal para a segunda safra de algodão.
O estímulo para a possível expansão da área cultivada também é resultado do cenário internacional. Em agosto, a média do primeiro vencimento do algodão na Bolsa de Nova York atingiu 85 centavos de dólar por libra-peso, um aumento de 9,7% em relação a julho.
No Brasil, a pluma em Rondonópolis foi negociada em torno de R$ 3,94 por libra-peso, representando uma alta mensal de 3,9%. Essa valorização está relacionada a preocupações com a oferta mundial.
O USDA, na atualização de setembro, revisou a projeção da produção global de algodão para 25,5 milhões de toneladas em 2026/27, uma queda de 4% em comparação com a temporada anterior.
O consumo mundial, por sua vez, foi estimado em 26,8 milhões de toneladas, um aumento de 1%. A redução na produção em relação ao consumo deve levar os estoques finais globais a recuarem de 16,4 milhões para 15,2 milhões de toneladas.
As condições climáticas nos Estados Unidos, principal produtor de algodão, também são motivo de preocupação, após períodos de calor intenso e baixa umidade na região do Texas.
Além disso, espera-se uma safra menor na China, um importante produtor e consumidor, com a produção estimada em 7,3 milhões de toneladas, em comparação às 7,8 milhões previstas para 2025/26.
No Brasil, o USDA projeta uma produção de 4 milhões de toneladas para 2026/27, ligeiramente abaixo das 4,1 milhões da safra anterior. Mesmo assim, a possibilidade de expansão da área cultivada permanece em pauta, especialmente se os preços continuarem atrativos e o calendário da soja permitir uma janela adequada para a semeadura.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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