Brasil quase esgota cota de carne bovina para China até agosto
Perspectivas e desafios para o setor de exportação de carne

O Brasil já utilizou 98,5% da cota de exportação de carne bovina estabelecida pela China para este ano, cuja meta é de 1,1 milhão de toneladas isentas de tarifas. Essa cota visa proteger a produção local e, de acordo com a StoneX, o volume deve se esgotar até agosto, devido ao prazo de cerca de 45 dias entre o embarque e a chegada ao mercado chinês.
João Figueiredo, analista da Datagro Pecuária, explicou que após o anúncio da cota em dezembro de 2025, o setor tentou entender como a distribuição funcionaria. "O controle está sob a responsabilidade do GACC, a alfândega da China, mas houve tentativas frustradas de regulamentar os embarques, levando o governo a optar por não regular o processo".
✨ Cerca de 40% da carne produzida no Brasil no primeiro semestre deste ano foi destinada à exportação, alcançando um recorde.
Com o acelerar das exportações, o Brasil enviou 2,1 milhões de toneladas equivalentes de carcaça entre janeiro e junho, um aumento de 16,9% em comparação ao mesmo período do ano passado. Outros mercados, como os Estados Unidos e a União Europeia, estão aumentando suas compras de carne bovina brasileira, mas não há substituição total à demanda da China.
Figueiredo menciona que os EUA adquiriram 183 mil toneladas de carne, e países como Chile e Rússia também ampliaram suas importações. Entretanto, o México reduziu suas compras após implementar uma cota de 70 mil toneladas.
Embora as vendas para outros países possam compensar parcialmente a perda da demanda chinesa, a situação do mercado de preços permanece tensa. "A China paga, em média, US$ 6,80 por quilo, enquanto os outros compradores tendem a pagar menos", afirmou Figueiredo.
Felippe Serigati, economista da FGV Agro, observa que países como os EUA e a Austrália ainda estão se recuperando de suas próprias limitações na oferta. Ele acrescenta que, diante da alta demanda, o Brasil continua a ser um importante fornecedor global de carne bovina.
Em relação aos preços para o consumidor brasileiro, Serigati acredita que uma queda é possível, mas improvável. Mesmo com a cota se esgotando, alguns produtos de maior valor agregado ainda poderão ser exportados para a China.
Ele também mencionou que o mercado futuro aponta para uma tendência de alta nos preços da arroba do boi, o que sugere que não haverá uma redução significativa nos preços internos. "Uma pequena acomodação em determinados cortes pode ocorrer, mas seria temporária e marginal".
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