Cenário de aumento da demanda e redução da oferta de carne bovina.

A pecuária brasileira se encontra em um momento decisivo, com o rebanho bovino global comercial atingindo os mesmos níveis de 1965 em 2025. Enquanto a oferta de carne bovina está em declínio, a demanda por essa proteína continua a crescer, posicionando o Brasil como um líder capaz de atender essa necessidade.
Dados apresentados pela Friboi, da JBS, durante a Apas Show 2026 em São Paulo, revelaram que o Brasil possui o maior rebanho comercial de gado do mundo, com impressionantes 192 milhões de cabeças. Os Estados Unidos e a Argentina seguem com 87 e 52 milhões, respectivamente.
✨ O Brasil é o único país que pode aumentar sua produtividade para suprir o déficit global na oferta de carne, afirmou Eduardo Pedroso, diretor-executivo da Friboi.
Segundo Pedroso, o Brasil tem sido líder nas exportações de carne bovina por mais de uma década e, no ano passado, superou os Estados Unidos em produção pela primeira vez. Ele garantiu que essa expansão nas exportações não afetará o abastecimento interno de carne no Brasil, sublinhando que "existe produção suficiente para atender à demanda crescente em nosso mercado e ainda assim avançar nas exportações".
Durante a apresentação, Pedroso destacou que 70% do rebanho bovino global está concentrado em três regiões: América do Norte, Europa e Mercosul. A situação mais crítica é observada nos Estados Unidos, que enfrentam o menor estoque de gado em 70 anos. A União Europeia e o Mercosul também estão com níveis baixos que não se viam há décadas, em meio a um ciclo natural no setor pecuário.
✨ A China tem sido um motor de transformação para a pecuária brasileira, exigindo carne de animais com menos de 30 meses e forçando mudanças rápidas no setor.
Historicamente, os bois chegavam ao abate com mais de quatro anos, mas a nova demanda chinesa acelerou a adoção de práticas que reduzem essa idade, com confinamento de apenas quatro meses antes do abate. A maioria da base de fornecimento da JBS agora opera com animais abaixo de 30 meses.
Para apoiar o crescimento da produção, a Friboi tem trabalhado na integração com seus fornecedores. Pedroso enfatizou que a relação com os pecuaristas é fundamentada em "transparência, confiança e relacionamento", envolvendo atualmente mais de 25 mil pecuaristas e cerca de 700 negociações diárias.
✨ Investimentos em serviços de logística e transporte têm sido feitos para garantir uma melhor padronização e eficiência no processo de abate.
Em resumo, a Friboi almeja não apenas suprir a demanda nacional por carne, mas também se consolidar como protagonista no mercado internacional, alinhando-se às novas exigências globais.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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