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Agronegócio
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Cadeia de grãos no Brasil: lucro no controle logístico

Controle de logística supera a produção para maximizar lucros

Gabriel Rodrigues06 de julho de 2026 às 14:15
Cadeia de grãos no Brasil: lucro no controle logístico

A lucratividade na cadeia de grãos do Brasil não está apenas na produção, mas no eficaz gerenciamento do transporte que conecta as fazendas aos portos. De acordo com um artigo de Drew Crawford, da Austral Continental, os originadores desempenham um papel essencial nesse processo.

Essas empresas compõem a linha de frente, comprando, financiando, armazenando e transportando a safra até o ponto de exportação. No último ano, a Amaggi, uma das líderes do setor, negociou impressionantes 22,5 milhões de toneladas de grãos, mesmo produzindo um pouco mais de 1 milhão de toneladas em suas próprias áreas.

A maior parte da produção da Amaggi vem de aproximadamente 6 mil agricultores que fazem parte de seu sistema, evidenciando como a prática de originação permite aumentar a escala de operações sem depender totalmente da extensão de terra cultivada.

Nesse modelo, o agricultor assume os riscos relacionados ao clima, produtividade e os preços do mercado, enquanto cabe ao originador a gestão de contratos, logística, armazenamento e o cálculo do 'basis', que representa a diferença entre o valor pago no interior e o preço que o grão atinge no porto.

Essas operações podem gerar margens significativas quando o grão é adquirido em períodos de preços mais baixos, armazenado e vendido sob condições favoráveis.

Outra estratégia importante é o barter, onde insumos como sementes e fertilizantes são fornecidos antes do plantio e pagos com a colheita. Com o aumento das taxas de juros e limitações de crédito, essa abordagem ajuda a controlar os custos, apesar de poder exigir mais grãos quando os insumos se encarecem.

Crawford estima que a combinação de barter, armazenamento, logística, compra e venda possa resultar em lucros que variam entre 15 e 30 dólares por tonelada. Com volumes consideráveis, essas margens podem TOTALIZAR centenas de milhões em ganhos.

Para investidores internacionais, o acesso a esse segmento pode ocorrer através de dívida vinculada a recebíveis, participação em infraestrutura ou operações estruturadas em parceria com originadores locais, sempre atentas a garantias e monitoramento do risco de não pagamento.

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