Café solúvel entra na regulamentação europeia de desmatamento
Setor se adapta a novas exigências com foco em rastreabilidade

A Comissão Europeia anunciou nesta segunda-feira (13/7) a inclusão do café solúvel no Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR), decisão que já era esperada pelo setor no Brasil. Essa medida pode impactar significativamente como as empresas brasileiras de café solúvel operam no mercado.
Aguinaldo José de Lima, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), afirmou que a associação começou a se preparar com antecedência. Ele explicou que, com a incorporação do café verde às regulamentações, a Abics promoveu iniciativas para que suas empresas busquem plataformas de rastreabilidade que permitam acesso a informações sobre desmatamento e normas trabalhistas.
✨ As novas regras passam a valer em 30 de dezembro de 2027, dando tempo para as empresas se adaptarem.
Lima ressaltou que as indústrias do setor desenvolveram sistemas de controle já em fase de teste. Ele acrescentou que, embora a Abics não tenha contestado a inclusão do café solúvel, solicitou um prazo maior para adequação, o que foi parcialmente atendido com a nova data limite.
Muitas empresas já utilizam uma plataforma de rastreabilidade criada pelo Cecafé em parceria com a Serasa, que conecta informações do produtor a diversas bases de dados, incluindo a verificação do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Isso garante a localização geográfica das propriedades e eventuais pendências relacionadas ao desmatamento e à legislação ambiental.
Embora o setor esteja focado em atender às exigências da EUDR, Lima expressou maior preocupação sobre como as verificações serão realizadas, uma vez que não existem problemas significativos de desmatamento associados à cafeicultura no Brasil.
Contexto
A regulamentação também inclui a necessidade de rastreabilidade dentro das indústrias e, segundo Lima, todas as oito plantas do Brasil já possuem sistemas adequados. Por outro lado, couros e peles bovinas, assim como sementes de soja, foram retirados do escopo da EUDR, uma decisão que, de acordo com o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), reflete uma ampla colaboração da cadeia global do setor.
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