Produtores enfrentam dificuldades no plantio e colheita devido a condições climáticas adversas.

As fortes chuvas no Paraná têm apresentado um desafio considerável para os produtores das culturas de inverno e verão, impactando as operações de plantio e colheita nas propriedades rurais.
De acordo com Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), a umidade excessiva pode ocasionar um aumento de doenças nas lavouras, o que leva os produtores a recorrerem a mais aplicações de defensivos.
✨ Ainda não há uma estimativa formal dos prejuízos, mas o planejamento financeiro dos agricultores já está sendo alterado.
Recentemente, a instabilidade climática trouxe chuvas frequentes ao estado, seguidas de períodos de nebulosidade e frio, culminando em mais chuvas, como registrado na última sexta-feira (23/10).
Em Engenheiro Beltrão e Roncador, o produtor Mauro César Volponi dos Santos, que cultiva 750 hectares de soja e 180 hectares de trigo, relata aproximadamente 20 dias de atraso nos trabalhos, com apenas 30% da soja semeada até o momento.
Ele observa que a necessidade de reaplicar herbicidas, especialmente para o controle da buva, traz um custo extra de R$ 200 por hectare.
Além disso, a recente medição revelou um acúmulo de 250 milímetros de chuva, resultando em erosão e encharcamento do solo, além de dificuldades para realizar o plantio e colher o trigo que ainda resta.
Em Manoel Ribas e Ivaiporã, Marcelo Alberton enfrenta situação semelhante com 87,1 hectares de soja e 43 hectares de trigo. As chuvas impediram a colheita do trigo no momento certo e impactaram o planejamento da safra seguinte.
Ele destacou que, desde o início de setembro, apenas seis dias de sol permitiram o plantio da soja, e, como resultado, ele teve que mudar para cultivares de ciclo curto.
A expectativa é afetada também nas lavouras já implantadas, com plantas apresentando crescimento irregular, dificultando o enraizamento e a operação de máquinas para pulverização.
O boletim mais recente do Deral revelou dados preocupantes sobre o trigo, onde 82% da área já colhida apresentou condições médias ou ruins, e menos de 10% está com a qualidade do grão afetada.
O prolongamento da permanência do trigo nas lavouras, além de reduzir a quantidade colhida, também compromete a qualidade comercial, afetando a remuneração do produtor.
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) destaca que os impactos das chuvas vão além das lavouras, aumentando os custos de produção e dificultando o planejamento financeiro dos produtores.
Segundo o presidente da Faep, Ágide Eduardo Meneguette, a entidade busca minimizar esses impactos por meio de seguros rurais e políticas públicas que assegurem condições favoráveis para os agricultores.
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