CNA lança projeto para apoiar produtores de leite no Semiárido
Iniciativa busca melhorar a alimentação do rebanho e a renda no setor

A promoção de pequenos e médios produtores é crucial para o avanço da produção de leite no Semiárido Nordestino, conforme destacou João Martins, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), durante o lançamento do Projeto Forrageiras em Baixa Grande, na Bahia.
Este projeto visa garantir uma alimentação de qualidade ao rebanho local ao longo do ano. Desenvolvido em parceria com a Embrapa, a proposta oferece um cardápio diversificado de forrageiras com o intuito de aprimorar a produção de gado leiteiro e de corte, além de ovinos e caprinos.
Desafios para os Produtores
Martins ressaltou que as políticas públicas e a assistência técnica para esses produtores ainda são insuficientes. "A maior parte da produção de leite mundial é originária de pequenas propriedades, com rebanhos entre 50 a 60 animais, sustentando muitas famílias rurais. Eles precisam reduzir seus custos e investir em tecnologia para permanecerem competitivos", afirmou.
✨ Menos de 10% dos produtores concentram quase 80% da renda do setor.
De acordo com Martins, o foco do projeto vai muito além do aumento de produção, mas assemelha-se a uma transformação social no campo, visando a criação de uma nova classe média rural e a diminuição da concentração de renda no agronegócio brasileiro.
Estratégias para Redução de Custos
O diferencial da pecuária leiteira brasileira, segundo o presidente da CNA, está na alimentação com base em pastagens tropicais. O uso de gramíneas forrageiras proporciona custos muito mais baixos em comparação com sistemas de outros países, como os Estados Unidos e algumas nações europeias.
No entanto, é necessário adaptar essas práticas às condições climáticas do Semiárido. "A utilização de palma forrageira, junto com silagem e feno, é vital para manter reservas alimentares durante períodos de seca, minimizando os efeitos negativos nas produções de leite", comentou.
A rentabilidade dessa atividade está intrinsecamente ligada à capacidade de baixar custos, seguindo modelos de referência, como o da Nova Zelândia, conhecida por sua excelência na produção leiteira.
Impactos das Importações
Dentre os desafios enfrentados pela cadeia leiteira, Martins destacou a entrada de leite importado da Argentina e do Uruguai, que, segundo ele, entra no mercado com apoio de subsídios que dificultam a concorrência para os produtores locais.
A situação é crítica, especialmente considerando que, nos últimos cinco anos, o Brasil viu uma queda de quase 20% no número de produtores de leite. Apesar disso, a produção se manteve estável ou até aumentou em alguns casos, devido ao avanço tecnológico e ao aumento de produtividade nas propriedades que continuam operando.
Em resposta a essa situação, a CNA já questionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre os impactos dessas importações sobre a renda dos pequenos produtores.
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