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Agronegócio
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Colheita de milho no Brasil: desafios da umidade e armazenagem

Produtores enfrentam dilemas entre rapidez na colheita e qualidade do grão

Gabriel Rodrigues08 de julho de 2026 às 10:45
Colheita de milho no Brasil: desafios da umidade e armazenagem

Os produtores de milho no Brasil vivem uma constante tensão entre a urgência de colher e a necessidade de garantir a qualidade do grão. Esse dilema se intensifica a cada safra, refletindo a pressão da modernização da lavoura, que, embora traga eficiência, também acarreta desafios significativos para o setor.

Otavio Matos, gerente operacional da Cycloar RS/SC, aponta que a situação se complica pela divergência de interesses entre os agricultores e a indústria. Enquanto os primeiros buscam vender o milho com umidade alta, para maximizar seu lucro, a indústria, principalmente no setor de ração e etanol, prefere grãos mais secos, já que isso resulta em maior aproveitamento energético.

Atualmente, a legislação permite grãos de milho com até 14% de umidade, mas muitos produtores colhem com índices superiores a 15%, o que compromete a qualidade e aumenta os custos de secagem.

O problema se acirra especialmente entre produtores que fazem a rotação de culturas, como a prática de cultivar soja antes do milho. Matos relata casos onde os grãos chegam com até 30% de umidade, um índice crítico para qualquer sistema de secagem, resultando em perdas significativas de qualidade.

Ele também menciona que o Brasil enfrenta uma crise estrutural em sua capacidade de secagem e armazenamento. O investimento necessário para a construção de unidades adequadas é elevado, e a recente redução de crédito direcionado a essas infraestruturas está impactando a decisão de muitos agricultores em expandir suas operações.

Desafios do Setor

Os agricultores precisam de soluções que conciliem a eficácia do plantio com a preservação da qualidade dos grãos. Medidas como o aperfeiçoamento da logística de plantio, o investimento em tecnologias de secagem e o aumento da capacidade de armazenagem são vitais.

Para que os produtores consigam implementar melhorias, Matos sugere uma colaboração efetiva entre órgãos governamentais, federações do setor e indústrias, visando promover linhas de crédito específicas para o agronegócio.

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