Especialistas discutem estratégias para melhorar segurança de suprimentos

Durante a abertura do 13º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, que ocorre nesta terça-feira (25/8) em São Paulo, especialistas discutiram como o Brasil pode lidar com sua dependência das importações em um cenário geopolítico instável.
Os profissionais da indústria apresentaram previsões sobre o mercado de fertilizantes nos próximos anos e analisaram estratégias para mitigar as vulnerabilidades do país. O Brasil, apesar de ser uma potência agrícola, ainda depende de insumos importados essenciais para a produção.
"A recente crise de disponibilidade de enxofre, crucial para a produção de fertilizantes, revelou os riscos dessa dependência
O conflito no Oriente Médio, iniciado no final de fevereiro, impactou significativamente a disponibilidade de insumos e elevou os custos ao longo de toda a cadeia de suprimentos. Monteiro destacou que, mesmo que a autossuficiência total não seja uma meta realista, buscar segurança de suprimento é fundamental.
Marcelo Altieri, presidente da Yara Brasil, acrescentou que as recentes crises mostraram como as cadeias logísticas podem ser interrompidas rapidamente e enfatizou a importância de um planejamento logístico aprimorado para aumentar a competitividade e reduzir a necessidade de importação.
✨ A boa notícia é que aprendemos a ter melhor planejamento — Marcelo Altieri.
O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), comentou que o próximo governo deverá focar na redução das vulnerabilidades em múltiplas áreas, incluindo logística e abastecimento de fertilizantes. Ele alertou sobre as mudanças no cenário global e a necessidade de o Brasil se adaptar para garantir sua segurança econômica.
O painel também enfatizou a importância de diversificar as exportações agropecuárias brasileiras, que atualmente têm a China como principal destino. Barbosa destacou que o país asiático tem sinalizado um aumento na produção interna de alimentos estratégicos, o que pode impactar a necessidade de importações.
"Precisamos ampliar nossa presença em outras regiões e explorar novos mercados, desenvolvendo oportunidades em países com crescimento populacional
Matias Spektor, diretor da Escola de Relações Internacionais da FGV, observou os riscos de concentrar 30% das exportações agropecuárias em um único país, mas observou que já há movimentos do governo brasileiro para diversificar os destinos. Ele citou as recentes visitas a países asiáticos e possíveis acordos comerciais com Japão e Coreia do Sul.
Rubens Barbosa finalizou ressaltando que a relação com a China é vital, pois o país está se esforçando para não depender exclusivamente do Brasil e dos Estados Unidos na importação de produtos agrícolas.
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