Financiamento para produção agrícola sofre queda e custos aumentam

O crédito rural brasileiro concluiu a safra 2025/26 com uma oferta reduzida de recursos e custos financeiros elevados, impactando diretamente o financiamento da produção agrícola. Essa análise foi feita por Claudio Brisolara, estrategista do agronegócio, e os dados do ciclo corroboram suas conclusões.
Dos R$ 405,9 bilhões inicialmente programados, apenas R$ 338,9 bilhões, ou 83,5%, foram efetivamente disponibilizados. Essa redução representa uma queda de 11,6% em relação à safra anterior, marcando o segundo recuo consecutivo no volume de crédito.
Os desembolsos caíram de R$ 421,8 bilhões na safra 2023/24 para R$ 383,5 bilhões em 2024/25, e para R$ 338,9 bilhões em 2025/26. Ao todo, isso equivale a uma diminuição de quase 20% em apenas dois ciclos.
O desempenho do crédito rural variou entre diferentes grupos. No Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o valor desembolsado aumentou em 2,9%, com um incremento de 10,1% no número de contratos. Por outro lado, no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), embora o volume tenha crescido em 5,3%, o número de operações registrou um recuo de 7%.
Entre os demais produtores, notou-se uma queda acentuada de 19,1% no valor desembolsado e um drástico declínio de 38,2% na quantidade de contratos assinados.
✨ Dados indicam uma queda de 13% no custeio, 17% nos investimentos e 24,7% na comercialização.
Esse cenário negativo se deve a um conjunto de fatores, incluindo o aumento do endividamento, a diminuição da capacidade de pagamento, a baixa rentabilidade, a exigência de garantias mais robustas, a aversão ao risco por parte dos bancos e o desinteresse dos produtores frente aos elevados custos financeiros.
O estoque de operações problemáticas subiu para R$ 202 bilhões, com R$ 106,5 bilhões já renegociados, um valor que mais que dobrou em pouco mais de um ano. Essa crise no crédito oficial fez com que muitos produtores buscassem fontes privadas de financiamento, como as Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CPRs), que alcançaram cerca de R$ 565 bilhões, um aumento de 13,3% em 12 meses.
Para a próxima safra 2026/27, o desafio será aumentar a previsibilidade dos recursos disponíveis, reforçar garantias e criar mecanismos de mitigação de riscos, além de trabalhar na reestruturação das dívidas para que o elevado custo financeiro não comprometa a capacidade de custeio, investimento e competitividade dos produtores.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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