Custo do diesel impacta agronegócio no Rio Grande do Sul
Estudo aponta efeitos diretos da alta do petróleo nas lavouras gaúchas

Uma pesquisa da Assessoria Econômica da Farsul revela que as crescentes tensões geopolíticas no Oriente Médio já afetam o agronegócio do Rio Grande do Sul. O preço do barril de petróleo Brent aumentou de US$ 70,99 para quase US$ 100 nos últimos dois meses, resultando em uma alta de 21,1% no diesel S10, que agora custa R$ 7,23 por litro.
Repercussões na Colheita e Plantios
Esse cenário surge durante um período crítico de colheita da safra de verão e planejamento do plantio de inverno, com um custo adicional estimado em R$ 612,2 milhões para as principais culturas do estado. O estudo destaca que a instabilidade no Irã e as tensões no Estreito de Ormuz resultaram em maiores custos logísticos e prêmios de risco.
✨ O aumento do diesel impacta diretamente o arroz, provocando uma perda de quase três sacos por hectare.
O arroz, em particular, é a cultura mais afetada. O aumento do custo do diesel representa um acréscimo de R$ 185,72 por hectare, levando a uma perda de 2,95 sacos por hectare. Segundo o relatório, 'o valor atual do arroz ainda mal remunera o custo operacional. Uma perda de três sacos por hectare pode frustrar expectativas e comprometer o resultado da safra'.
Embora o impacto sobre a soja seja menor — cerca de R$ 48,74 por hectare, correspondendo a 0,41 saco —, o efeito total para essa cultura é considerável, resultando em um prejuízo agregado de R$ 331,2 milhões, devido à área cultivada ampla.
Diferenciais Regionais e Projeções Futuras
A análise também indica variações regionais nos preços do diesel dentro do estado. Em Porto Alegre, o valor é de R$ 7,05 por litro, enquanto que em Bagé chega a R$ 7,95, aumentando a pressão sobre os custos dependendo da localização das propriedades.
✨ Se o diesel alcançar R$ 8,00, o custo adicional para o agronegócio gaúcho poderá chegar a R$ 986,3 milhões.
Projeções mais pessimistas indicam que, se o preço do diesel atingir R$ 9,00 por litro, o prejuízo estimado pode ultrapassar R$ 1,47 bilhão. O estudo também analisa medidas de política econômica, destacando que desonerações fiscais amplas têm eficácia limitada para o setor e podem afetar as contas públicas, dificultando o controle da inflação e retardando a redução da taxa de juros.
A pesquisa conclui que, em 2026, o diesel tornou-se um componente central nos custos do agronegócio, e enquanto as tensões geopolíticas persistirem, as margens de lucro dos produtores seguirão sob pressão.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Camila Souza Ramos
Jornalista especializado em Agronegócio
Notícias Relacionadas
Mais de Agronegócio

Safra de girassol na Argentina atinge níveis recordes em 2025/26
Produção e área plantada estabelecem novos patamares históricos.

Produtores brasileiros enfrentam crise com alta de custos e El Niño
Setor agrícola se prepara para safra desafiadora após conflitos globais.

Exportações de algodão de Mato Grosso batem recorde em 2024/25
Estado representa 66% dos embarques nacionais de abril

Expoagro Afubra 2026: Uma Vitrine para a Agricultura Familiar no Sul do Brasil
Evento em Rio Pardo destaca inovação e desafios do setor agrícola sob a temática da resiliência.





