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Agronegócio
3 min de leitura

Demanda por defensivos agrícolas cresce, mas preços se mantêm baixos

Área cultivada aumenta 7,6%, mas valor de compra sobe apenas 0,7%

Carlos Silva15 de maio de 2026 às 17:25
Demanda por defensivos agrícolas cresce, mas preços se mantêm baixos

O setor agrícola brasileiro registrou um aumento de 7,6% na Área Potencial Tratada (PAT) em 2025, enquanto o valor que os produtores pagam por defensivos agrícolas teve um modesto incremento de 0,7% em dólar. Apesar da expansão nas áreas cultivadas, o crescimento notável na utilização de defensivos químicos não se traduziu em ganhos financeiros equivalentes para a indústria.

Crescimento em aplicações e desafios econômicos

De acordo com um estudo da Kynetec Brasil, solicitado pelo Sindiveg, a área tratada ultrapassou os 2,6 bilhões de hectares. A pressão crescente de pragas e doenças tem levado os produtores a aumentar a frequência de aplicações, mas o vice-presidente do Sindiveg, Julio Borges, observou uma 'erosão de preços' ao longo do ano, indicando que apesar do aumento das áreas e do volume consumido, os preços não acompanharam essa alta.

Aerosão de preços impacta a margem de lucro dos produtores.

O executivo atribui a deterioração das margens no campo às crescentes dificuldades econômicas e à pressão em decorrência do aumento dos custos operacionais. O conflito no Oriente Médio também agravou a situação, com importantes ingredientes ativos, como o glifosato, subindo 20% a 40% em preço. Embora esses aumentos ainda não tenham sido totalmente repassados ao produtor, a nova fase de comercialização já reflete essas mudanças.

Projeções preocupantes para 2026

No primeiro trimestre de 2026, o cenário se complicou ainda mais com um aumento nos pedidos de recuperação judicial no agronegócio e dificuldades de acesso ao crédito. A inadimplência no setor duplicou em relação a 2024, refletindo a crise crescente, enquanto as instituições financeiras tentam encontrar maneiras de repassar créditos a agricultores enfrentando restrições. A combinação de uma moeda forte, aumento nos custos de insumos e juros elevados indicam que as margens dos produtores poderão ser ainda mais pressionadas.

Dados sobre uso de defensivos

O levantamento também mostrou que a soja continua sendo a cultura predominante, representando 55% da área tratada. O milho teve um aumento de participação, passando de 16% para 18%, enquanto o algodão respondeu por 7% da PAT. As regiões de Mato Grosso e Rondônia concentram 33% do total da área tratada, seguidas pela região BAMATOPIPA com 18%.

Herbicidas representam 46% do volume total de defensivos consumidos.

Os herbicidas foram responsáveis por 46% do total de defensivos utilizados, com inseticidas e fungicidas respondendo por 26% cada. O aumento de uso de inseticidas cresceu 10% no ano, destacando a importância de produtos que controlam lagartas e percevejos.

A adoção de biológicos

Outra tendência observada foi o crescimento do uso de biocontrole, que aumentou 17% entre as safras monitoradas, alcançando 45,5% da área coberta. Embora os biológicos não substituam os defensivos químicos, estão se integrando às estratégias de manejo, contribuindo para enfrentar a crescente resistência de pragas nas lavouras brasileiras.

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