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Agronegócio
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Dólar em queda impacta setor agropecuário e preços de commodities

Valorização do real traz desafios e oportunidades em negociações

Carlos Silva03 de maio de 2026 às 06:30
Dólar em queda impacta setor agropecuário e preços de commodities

O dólar, após um período de alta, começou a registrar queda significativa no Brasil, sendo cotado a R$ 4,95 nesta quinta-feira (30), uma desvalorização de 3,5% ao longo do mês. Esse movimento é influenciado principalmente pela situação do Oriente Médio e pelo aumento nos preços do petróleo.

Impacto do Dólar no Setor Agro

A variação da moeda americana afeta diretamente as operações do agronegócio, tanto nas vendas quanto nas compras de produtos no mercado externo. Segundo Luiz Roque, coordenador de inteligência de mercado da Hedgepoint, 'no Brasil, o valor das commodities é determinado pela cotação em Chicago, acrescido de um prêmio e ajustado pelo câmbio'. Com a desvalorização do dólar, os preços em reais tornam-se relativamente menores para os agricultores.

Produtos como a soja, que possuem alta demanda no mercado internacional, são os mais afetados pela fragilidade do dólar.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), houve uma queda acumulada de 2,56% nos preços das commodities em abril, refletindo essa dinâmica cambial. A expectativa de uma safra recorde de soja também contribui para esse cenário, criando um quadro de precaução entre os comerciantes que buscam melhores condições para fechar negócios.

Efeitos nos Insumos e Estratégias dos Produtores

Por outro lado, o fortalecimento do real pode fornecer algum alívio nos custos de produção, especialmente porque insumos como fertilizantes e defensivos são geralmente importados. 'Um dólar mais baixo pode ajudar a conter a alta internacional desses insumos, especialmente em vista da próxima safra', reafirma Roque.

Entretanto, esse benefício é considerado limitado. Os preços ainda podem ser impactados por fatores logísticos decorrentes da situação no Oriente Médio. Assim, os produtores têm adotado uma postura mais conservadora, preferindo adiar a venda de suas colheitas à espera de uma recuperação nos preços.

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O produtor recua na comercialização e aguarda algum repique de preços para voltar ao mercado

Luiz Roque.

Além disso, alguns agricultores estão efetivamente utilizando a baixa do câmbio como uma oportunidade para fixar seus custos futuros. 'Este patamar de dólar representa uma chance de estabelecer preços, algo que não víamos há tempos', conclui Roque.

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