Relatório do Banco Central revela efeitos variados entre culturas e regiões.

Um fenômeno de El Niño de forte intensidade até o fim do segundo trimestre de 2027 pode influenciar a produção agrícola no Brasil de forma diferenciada, impactando várias culturas e regiões, conforme aponta o economista André Galhardo Fernandes.
O Relatório de Política Monetária, divulgado recentemente pelo Banco Central, quantificou o efeito do fenômeno sobre culturas chave como soja, milho, algodão, arroz, cana-de-açúcar e café. Juntas, essas culturas representam cerca de 75% do valor da produção agrícola nacional.
✨ Na soja, o impacto é quase neutro ao nível nacional, porém existem diferenças significativas entre as regiões, como um aumento na produtividade no Rio Grande do Sul, que compensa perdas em áreas do Matopiba, como Piauí e Maranhão.
Quanto ao milho, a situação é preocupante, já que os impactos negativos são significativos e constantes durante eventos de El Niño e La Niña, sem compensações regionais. A segunda safra, que representa a maior parte da produção, é a mais afetada.
O algodão demonstra uma tendência similar, com a maioria dos estados enfrentando impactos negativos, exceto Mato Grosso, que não apresenta efeitos identificáveis. Por sua vez, o arroz registra perdas no total nacional, especialmente no Rio Grande do Sul.
As análises indicam que as projeções atuais sugerem um cenário em 2027 que pode se assemelhar aos impactos adversos observados em 1998 e 2016. Na cana-de-açúcar, os efeitos são considerados irrelevantes, enquanto no café, há um ganho associado a situações de La Niña.
A complexidade dos choques simultâneos em diferentes culturas pode dificultar o tratamento dessas questões pela política monetária, exigindo digestão além das análises numéricas, com decisões detalhadas sobre plantio, seguro e crédito.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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