El Niño não garante perdas na soja em Mato Grosso, diz meteorologista
Estudo aponta a importância do calendário de plantio e das chuvas.

A crença de que anos de El Niño necessariamente resultam em prejuízos para a soja em Mato Grosso é contestada. O meteorologista Gabriel Rodrigues, do Portal Agrolink, analisou dados de eventos do fenômeno climático desde a década de 1990 e concluiu que a relação entre El Niño e reduções na produtividade é bem mais complexa.
✨ O real risco para a produção está relacionado ao atraso no início das chuvas, e não à intensidade do El Niño.
Análise de eventos El Niño
Rodrigues verificou que, dos oito eventos analisados (desde 1991), apenas dois resultaram em perdas significativas para a soja. Em muitos casos, a produtividade se manteve estável ou até acima da tendência estabelecida pela tecnologia agrícola, mesmo em situações de estresse climático localizado.
Geografia climática de Mato Grosso
De acordo com o estudo, a geografia de Mato Grosso, situada em uma faixa de transição climática, mostra uma resposta diferenciada ao fenômeno El Niño. Enquanto no Sul do Brasil observa-se chuvas acima da média, no Centro-Oeste a irregularidade na precipitação e o aumento das temperaturas podem impactar as lavouras de maneira menos previsível.
"Em 1997/98, durante um Super El Niño, Mato Grosso alcançou uma safra recorde de soja. Em contrapartida, o Super El Niño de 2023/24 resultou na maior quebra de produção já registrada no estado.
Calendário de plantio e impacto na produção
Rodrigues salienta que o fator determinante não é a magnitude do fenômeno em si, mas sim o impacto que ele causa no calendário de plantio. Quando as chuvas são atrasadas, os produtores são forçados a semear a soja mais tarde, o que gera uma série de complicações que afetam toda a sucessão de cultivos.
✨ O atraso na semeadura da soja pode levar a colheitas desuniformes e encurtar a janela ideal para o milho, resultando em prejuízos na produtividade.
Experiência histórica
A história agrícola de Mato Grosso revela que, apesar de anos com El Niño, muitos ciclos semeados sob essas condições não apresentaram quebras significativas. Ao longo das duas últimas décadas, a resiliência das lavouras se refletiu na capacidade de adaptação dos produtores às flutuações climáticas.
Previsões para o futuro
Com novas previsões de um possível El Niño se formando novamente entre 2026 e 2027, a análise histórica pode servir como um guia para o futuro. Rodrigues destaca que a monitorização do início das chuvas é mais crucial do que a simples observação do Índice Oceânico Niño (ONI) para antecipar riscos na produção. Ele destaca que a pergunta fundamental para os agricultores deve ser quando a chuva começará, não se ela será escassa.
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