Pesquisa da Embrapa revela relação linear entre manejo do solo e produtividade da soja.

Pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste, em Mato Grosso do Sul, validaram a eficiência da metodologia de Zoneamento Agrícola de Risco Climático - Níveis de Manejo (ZarcNM) em condições reais de campo. O estudo aponta uma relação linear positiva entre a qualidade do manejo do solo e a produtividade da soja, com um aumento médio de 11,1% na produtividade para cada nível de melhoria no manejo obtido pelo produtor.
A pesquisa, conduzida ao longo de 30 anos no município de Dourados, avaliou 28 safras consecutivas de soja, de 1998 a 2026, através de mais de 4,3 mil pontos georreferenciados. Os dados incluem análises químicas do solo, cobertura e produtividade, permitindo a classificação dos talhões em quatro níveis de manejo, de NM1 (menor qualidade) a NM4 (maior qualidade).
✨ O estudo evidencia que práticas conservacionistas resultam em maior produtividade, permitindo que as lavouras enfrentem melhor períodos de estiagem e minimizem riscos de perdas.
Júlio Cesar Salton, um dos pesquisadores da Embrapa, ressalta que o manejo adequado do solo influencia diretamente na capacidade das lavouras de suportar a falta de água. Solos bem manejados armazenam mais água e favorecem o desenvolvimento das raízes, tornando a cultura da soja mais resistente às variações climáticas.
Tradicionalmente, o Zarc já considerava fatores climáticos e do solo para indicar as melhores janelas de semeadura, mas a inovação do ZarcNM envolve a qualidade do manejo, que é essencial para maximizar a produtividade e resistência das lavouras.
Os pesquisadores testaram três modelos de produção: o preparo convencional, o sistema de plantio direto e a integração lavoura-pecuária. A pesquisa demonstrou que a transição para níveis mais altos de manejo correlacionou-se com um aumento significativo na produtividade da soja ao longo das safras.
Além de expandir a eficiência produtiva, o ZarcNM traz benefícios mais amplos, influenciando a política agrícola. Ele poderá ajudar na concessão de subvenções diferenciadas para seguros agrícolas, ponderando a qualidade do manejo, o que pode resultar em menor risco de perdas para os agricultores.
A metodologia foi testada em talhões classificados pelo sistema de manejo, que na safra de soja oferece subvenções de 40% para NM4, 35% para NM3, e 30% para NM2, enquanto os talhões NM1 recebem a subvenção padrão de 20%. O ZarcNM está em fase de testes e espera-se sua expansão para outras culturas e regiões.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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