Pesquisa aponta relações entre fatores de armazenamento e qualidade da fruta

Uma pesquisa de três anos realizada pela Embrapa Semiárido em Pernambuco revelou que o escurecimento da polpa da manga, conhecido como corte negro, está diretamente ligado à exposição das frutas suscetíveis ao frio. Este distúrbio fisiológico tem preocupado produtores, exportadores e consumidores por comprometer a qualidade dos frutos, especialmente na região próxima à semente, afetando sua aceitação no mercado.
Os cientistas identificaram que a condição ocorre em frutas colhidas em estágios iniciais de maturação e expostas a baixas temperaturas durante o transporte e armazenamento refrigerado. Além de confirmar essa relação, a pesquisa apresentou estratégias para minimizar a ocorrência do distúrbio e preservar a qualidade das mangas.
✨ As estratégias sugeridas incluem a escolha adequada do ponto de colheita, manejo da cadeia de frio, uso de atmosfera controlada e aplicação do 1-metilciclopropeno (1-MCP), um regulador de crescimento que inibe a ação do etileno.
De acordo com Sérgio Tonetto, pesquisador da Embrapa, o estudo fornece evidências científicas que confirmam a relação entre as temperaturas e a forma de escurecimento da polpa, permitindo que soluções eficazes possam ser implementadas. A pesquisa terá impacto significativo em um dos principais produtos da fruticultura brasileira, uma vez que o país é o sexto maior produtor mundial de manga.
A análise feita mostrou que, ao longo de semanas, as mangas em contêineres refrigerados poderiam desenvolver o problema. Apesar da perfeita apresentação externa, o escurecimento só é perceptível quando a fruta é cortada, o que gera decepção ao consumidor e impactos negativos para toda a cadeia produtiva.
Os pesquisadores descobriram que as frutas colhidas em estágios mais avançados de maturação são menos suscetíveis ao escurecimento. Além disso, armazenar as mangas sob temperaturas em torno de 12,5°C ajuda na prevenção do problema.
Essas orientações já estão sendo adotadas por empresas do setor, como a Blue Skies, que ajustou suas práticas de armazenamento e colheita com base nas recomendações do estudo.
Outras estratégias recomendadas incluem o uso de contêineres de atmosfera controlada, que mantêm os níveis de oxigênio baixos, retardando a respiração dos frutos. O 1-MCP, que inibe o etileno, também se mostrou eficaz na redução do escurecimento da polpa.
Por fim, a Embrapa está desenvolvendo uma ferramenta que utiliza espectrômetros portáteis e aprendizado de máquina para identificar lotes com maior predisposição ao escurecimento antes da exportação.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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