Exportações do agronegócio caem 25,38% após conflito no Oriente Médio
A guerra impacta as vendas para países árabes do Golfo, mas o trimestre mantém crescimento.

As exportações brasileiras do agronegócio para o bloco do Golfo Pérsico sofreram uma redução de 25,38% devido ao conflito no Oriente Médio, segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB). O impacto é significativo, uma vez que essa região representa cerca de 75% das vendas agrícolas do Brasil.
✨ Vendas para o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) caíram 31,47% em março, totalizando US$ 537,11 milhões.
Apesar da queda mensal, as exportações para o CCG apresentaram um crescimento de 8,14% no trimestre, atingindo US$ 2,41 bilhões. Quando considerados todos os 22 países árabes, a elevação foi de 3,90% no mesmo período, totalizando US$ 5,13 bilhões.
A influência do conflito
O fechamento do Estreito de Ormuz, que limita o acesso a portos críticos, tem representado um obstáculo para as vendas, embora ainda não tenha comprometido os resultados totais. O secretário-geral da CCAB, Mohamad Orra Mourad, ressaltou que o fornecimento de alimentos está sob pressão devido aos custos elevados gerados pelo risco do conflito.
""Enquanto as vendas de janeiro e fevereiro mostraram um desempenho positivo, o recuo de março é um reflexo direto da guerra. Precisamos monitorar a situação, pois a continuidade do conflito pode agravar ainda mais o cenário," destacou Mourad.
✨ Os embarques de frango caíram 13,80% em março, enquanto o açúcar teve uma retração de 43,37%.
Entre os principais produtos, a carne bovina se destacou com uma alta de 23,87% no mês, totalizando US$ 47,75 milhões. Já o milho experimentou uma queda drástica, sem embarques ao CCG em março, com uma queda de 99,96%.
Desafios e oportunidades
No primeiro trimestre de 2026, as importações brasileiras de fertilizantes do CCG caíram 51,35%, o que pode impactar a capacidade do agronegócio brasileiro de atender à demanda árabe. Mourad enfatizou a necessidade de buscar soluções para reduzir esses efeitos negativos.
O mercado Halal, que envolve alimentos produzidos segundo normas islâmicas, é crucial para as exportações brasileiras. Ele representa uma oportunidade, especialmente em um contexto onde a segurança alimentar é uma prioridade durante o conflito.
✨ Cerca de 1,9 bilhão de muçulmanos globalmente sustentam uma demanda crescente por alimentos Halal.
Embora um recente cessar-fogo ofereça alguma esperança, a reabertura do Estreito de Ormuz ainda não está garantida. As autoridades internacionais seguem trabalhando em soluções diplomáticas para mitigar os impactos do conflito nas exportações.
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