Fertilizantes no Brasil: queda nas importações e impulso à produção local
Com redução nas compras externas, país busca aumentar a autossuficiência

Os custos de produção agrícola continuam a ser pressionados pelos fertilizantes, que atualmente representam cerca de metade do custeio da soja em Mato Grosso. Entretanto, dados recentes revelam uma redução nas importações desse insumo, além de um crescente investimento na indústria nacional.
Conforme a consultoria StoneX, as compras externas das principais matérias-primas de fertilizantes caíram 8,6% em volume no primeiro semestre de 2026 se comparadas ao mesmo período do ano anterior. Essa tendência levanta tanto preocupações quanto oportunidades para a cadeia produtiva brasileira.
✨ Os fertilizantes representam, em média, 23% dos custos totais em lavouras de soja, milho e algodão no Brasil.
No estado de Mato Grosso, por exemplo, esse insumo responde por 46,7% dos custos da soja para a safra 2026/27, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Essa dependência estrutural é alarmante, visto que mais de 85% dos fertilizantes utilizados no Brasil são importados, colocando o país como o maior importador mundial, com 45,5 milhões de toneladas trazidas do exterior em 2025.
A queda nas importações em 2026 se torna ainda mais significativa. As compras de ureia diminuíram 32%, enquanto o MAP (Fosfato Monoamônico) caiu 24%. Outros insumos, como o nitrato de amônio e o enxofre, também apresentaram recuos de 42%. Por outro lado, o cloreto de potássio e o TSP tiveram uma leve alta na demanda.
Esse movimento é atribuído ao receio dos compradores em meio a incertezas no mercado internacional e trocar relações desfavoráveis. Como resultado, produtores e importadores têm adiado negociações em uma fase crítica do calendário agrícola, que vai de abril a agosto.
Futuro da produção nacional de fertilizantes
O Ministério da Agricultura e Pecuária tem metas ambiciosas, projetando que 50% da demanda interna de fertilizantes seja atendida pela indústria nacional até 2050, com ações já em curso como a reativação de fábricas de nitrogenados.
Nos próximos anos, o segmento de fertilizantes líquidos, foliares e de fertirrigação tem apresentado um crescimento significativo, com faturamento de R$ 26,9 bilhões em 2024 e uma alta de 18,9% em relação ao ano anterior. Minas Gerais é um estado-chave nesse cenário, concentrando aproximadamente 70% das reservas de potássio do Brasil e operando a maior mina do país em São Gotardo.
"O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário complexo, mas também apresenta oportunidades que podem reposicionar o produtor na economia global. O planejamento inteligente se torna essencial.
O especialista Fellipe Parreira, também da GIROAgro, enfatiza a necessidade de uma abordagem mais integrada, apontando que o crescimento do setor de nutrição vegetal, que já é de dois dígitos anualmente, oferece alternativas para os agricultores, com menor exposição cambial e uma logística mais previsível.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Mais de Agronegócio

Cotações do milho se estabilizam após colheita de segunda safra
Cepea registra leve alta enquanto chuvas geram apreensão entre produtores

Soja em Paranaguá segue em alta com dólar como fator chave
Preço do grão referencia alta no mercado com foco nas exportações

Safra de trigo 2026/27 na Argentina enfrenta desafios econômicos
Clima favorável contrasta com altos custos de insumos para agricultores

Custo de produção da soja em Mato Grosso sobe 6,98%
Tensões internacionais impactam despesas e insumos agrícolas.





