Governo reduz em R$ 461,7 milhões seguro rural e afeta setor agropecuário
Corte impacta a proteção financeira dos produtores em meio a riscos climáticos

O governo federal anunciou o bloqueio de R$ 461,7 milhões do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), o principal mecanismo de acesso ao seguro agrícola para produtores rurais do Brasil. Essa decisão, registrada no Painel do Orçamento Federal, representa aproximadamente 45,7% de toda a contenção de despesas aplicada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Inicialmente, estavam previstos R$ 1,01 bilhão para o programa neste ano, mas agora apenas cerca de R$ 548 milhões permanecem disponíveis. Esse contingenciamento se dá em um momento crítico para a agricultura, marcada por secas, enchentes e outros desastres climáticos que resultaram em perdas financeiras significativas para os produtores.
✨ A demanda do setor é de R$ 4 bilhões anuais para garantir uma cobertura adequada.
As associações do setor alertam que os valores disponíveis para o PSR são insuficientes em relação à necessidade do campo. Dados do Atlas do Seguro Rural apontam que o orçamento executado do programa caiu de R$ 1,15 bilhão em 2021 para apenas R$ 565,3 milhões em 2025, enquanto a área agrícola protegida recuou de 13,7 milhões de hectares para cerca de 3,2 milhões.
Impactos nas apólices e propostas em discussão
No Paraná, por exemplo, o número de apólices subvencionadas despencou de 82 mil para 26 mil no mesmo período. Para representantes do setor, a combinação de riscos climáticos crescentes com a diminuição de fundos para seguro ameaça a estabilidade financeira dos produtores.
Este corte acontece em um contexto de discussões no Congresso sobre estratégias para enfrentar as consequências financeiras de prejuízos devido a perdas climáticas. Entre as propostas, destaca-se o Projeto de Lei nº 2.951/2024, apresentado pela senadora Tereza Cristina, que visa fortalecer o sistema de seguro rural no Brasil.
A proposta sugere garantir maior estabilidade aos recursos e criar um Fundo de Catástrofe, buscando mitigações permanentes contra crises climáticas, ao invés de depender de ações emergenciais.
✨ O seguro agrícola pode ser crucial para evitar aumentos de dívidas futuras.
Especialistas em gestão de risco rural ressaltam que o seguro agrícola é vital para minimizar a necessidade de renegociações e medidas emergenciais. Com a proteção, prejuízos por eventos climáticos extremos são melhor administrados, evitando um efeito dominó que impacta cooperativas, bancos e a geração de renda rural.
Entretanto, se a proteção não estiver em vigor, as quebras de safra podem afetar a oferta de produtos, impactando o preço dos alimentos e, consequentemente, os consumidores urbanos.
Desafio fiscal e prioridades governamentais
Embora o governo enfrente um desafio fiscal real, a redução quase pela metade dos recursos do seguro rural levanta questões sobre as prioridades na administração dos riscos relacionados à agricultura, que cada vez mais sofre com as mudanças climáticas.
O questionamento central é se o Brasil irá priorizar a prevenção de perdas financeiras no setor ou continuar focado em ações reativas após a crise ser instalada.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Mais de Agronegócio

Brasil apresenta fragilidade no seguro rural em comparação global
Estudo revela desafios na cobertura para produtores rurais brasileiros

Agronegócio brasileiro enfrenta desafios climáticos e geopolíticos
Setor se mostra despreparado para os impactos das mudanças climáticas e tensões internacionais

Resseguro é fundamental para estabilidade do agronegócio brasileiro
Mecanismo se torna essencial frente a perdas e imprevisibilidade climática

Preços do trigo no Brasil sobem com oferta restrita
Tendência de alta nas cotações do trigo marca o início de abril





