Planejamento e características são essenciais para um bom rendimento.

A escolha adequada da cultivar de trigo deve ser alinhada à época de semeadura e às condições específicas de cada região. Essa combinação de fatores, incluindo genética, clima e data de plantio, impacta diretamente o potencial de rendimento e a estabilidade da produção, expondo a lavoura a riscos como geadas, doenças, calor e déficit hídrico durante as fases reprodutivas.
No Paraná e no Rio Grande do Sul, o planejamento agrícola deve considerar também o uso das áreas ao longo do ano, incluindo a sucessão de culturas como soja e milho. É essencial observar as janelas específicas indicadas para o plantio em cada região. Além disso, características como o ciclo da cultivar, exigência em frio, resposta ao fotoperíodo e o perfil fitossanitário precisam ser avaliadas.
✨ A época de semeadura é crucial, pois define o momento das fases sensíveis do trigo, como espigamento, florescimento e enchimento dos grãos, que podem ser afetadas por geadas e outras condições climáticas.
Os riscos associados ao calendário de plantio incluem geadas fortes durante o espigamento, excesso de chuvas na colheita e calor ou déficit hídrico no final do ciclo. Por isso, uma cultivar pode ter diferentes níveis de exposição a riscos, dependendo do período de semeadura. O planejamento deve igualmente considerar a altitude, latitude da área, histórico de doenças e a infraestrutura disponível para colheita e secagem.
Ubirajara Fontoura, engenheiro agrônomo, ressalta que não existe uma cultivar ideal para todas as regiões e épocas. A recomendação é utilizar um conjunto de materiais com ciclos e características variadas dentro das janelas permitidas pelo zoneamento agrícola. As cultivares devem ser classificadas conforme seu grupo de maturação, que pode ser superprecoce, precoce, médio ou tardio.
Outro aspecto importante é a exigência em vernalização. Cultivares com maior necessidade de frio devem acumular um período específico de baixas temperaturas, enquanto as que requerem menos frio são as mais indicadas para semeaduras tardias ou zonas menos frias.
A influência do fotoperíodo também é significativa, já que a sensibilidade ao comprimento do dia pode alterar as fases vegetativas e o espigamento. Fontoura aponta que cultivares mais sensíveis podem modificar seu ciclo devido a fatores como época de semeadura, fertilidade do solo e luminosidade.
O perfil fitossanitário deve ser considerado, incluindo doenças como ferrugem da folha, giberela e brusone. Para semeaduras tardias, a preocupação maior é com a sanidade das espigas, pois as condições quentes e úmidas podem favorecer o desenvolvimento de doenças.
Além das características agronômicas, a qualidade tecnológica dos grãos é crucial. A cultivar deve ser compatível com o destino da produção, seja para a indústria, cooperativas, exportação ou uso interno.
Os sistemas integrados de produção, como a Integração Lavoura-Pecuária (ILP), estão se expandindo, com cultivares de trigo de 'duplo propósito' sendo cada vez mais utilizadas. Fontoura enfatiza que a escolha da cultivar deve observar as recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), considerando o clima, solo e a fertilidade.
A relação entre o ciclo da cultivar e a data de plantio é fundamental. A data de semeadura deve alinhar-se à duração do ciclo para evitar exposições desfavoráveis durante as fases críticas.
Com esse planejamento, é possível otimizar o desenvolvimento da lavoura e minimizar a concentração de riscos, assegurando uma produção de trigo eficiente e de qualidade.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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