Alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025 exige atenção nas contratações de crédito.

A inadimplência rural chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026, o que representa um aumento de 1,2 ponto percentual em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse dado, divulgado pela Serasa Experian, ressalta a importância de uma análise cuidadosa das responsabilidades financeiras antes de se considerar a contratação de novos créditos.
O indicador avalia dívidas de pessoas físicas no setor rural que estão em atraso há mais de 180 dias, contraídas com empresas do agronegócio. Em um cenário financeiro mais desafiador, é essencial que os produtores avaliem suas obrigações financeiras previamente, em vez de buscar novos empréstimos imediatamente.
✨ “É comum que o produtor avalie uma nova operação de crédito olhando para uma necessidade específica. O problema é quando essa decisão é tomada sem considerar todos os contratos que já existem, com prazos, custos e vencimentos diferentes”, alerta Victor Cardoso, head comercial da Agree.
O diagnóstico financeiro ajuda a consolidar as obrigações atuais e identificar situações em que operações que parecem adequadas podem sobrecarregar o caixa ao serem analisadas em conjunto. É fundamental observar a concentração de vencimentos, a compatibilidade dos financiamentos com os retornos esperados e as garantias disponíveis que poderiam limitar novas negociações.
O tamanho da dívida, por si só, não reflete a verdadeira situação financeira. É essencial entender como as obrigações se conectam à capacidade de geração de receita da propriedade. Assim, o produtor poderá tomar decisões mais informadas sobre a reorganização de seus compromissos ou buscar novos recursos.
Depois da reavaliação das obrigações financeiras, diversos instrumentos podem ser considerados, como empréstimos para custeio ou investimentos, consórcios para planejamento de aquisições e seguros que protejam contra riscos específicos. No agronegócio, o planejamento deve também levar em conta as particularidades do ciclo produtivo, já que variáveis como clima, preço, e produtividade impactam diretamente as receitas.
Por isso, segundo Cardoso, é importante que o cronograma financeiro dos produtores esteja alinhado aos períodos de receita esperada e que preveja uma margem para oscilações. "Quanto mais previsível o planejamento, melhor será a capacidade de enfrentar períodos complicados e aproveitar oportunidades favoráveis no mercado".
Assim, a meta não deve ser apenas obter mais crédito, mas sim construir uma estrutura financeira que respeite a estratégia e a realidade do negócio.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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