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    Agronegócio
    3 min de leitura

    Indústria de fertilizantes no Brasil prevê queda de 10% nas entregas

    A guerra no Oriente Médio afeta o abastecimento e os preços.

    Gabriel RodriguesAtualizado 30 de julho às 08:10
    A
    Indústria de fertilizantes no Brasil prevê queda de 10% nas entregas

    Cinco meses após o início do conflito no Oriente Médio, a indústria brasileira de fertilizantes antecipa uma redução de pelo menos 10% nas entregas para a safra 2026/27. Este cenário resulta da instabilidade logística provocada pela guerra, que disparou os preços dos insumos.

    Além da questão logística, fatores como o endividamento crescente dos produtores rurais, a elevação das taxas de juros e a menor rentabilidade das principais culturas exacerbam a situação, dificultando a aquisição de fertilizantes.

    Para a safra de soja que se inicia em setembro em diversas regiões, estima-se que apenas 80% das compras haviam sido realizadas até agora, uma queda de cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior. Já para o milho de segunda safra, 30% das aquisições foram feitas, uma ligeira diminuição em comparação com 35% no mesmo período do ano passado.

    ✨ Apesar das dificuldades, a expectativa é que o impacto no mercado de fertilizantes seja menos severo do que inicialmente previsto.

    Eduardo Monteiro, gerente da Mosaic Fertilizantes no Brasil e Paraguai, destacou uma recente melhora nas vendas, com cerca de 3 milhões de toneladas de fertilizantes comercializadas nas últimas semanas, impulsionadas pela elevação dos preços da soja.

    "

    As últimas três semanas trazem uma dose de otimismo, mas ainda enfrentamos um cenário desafiador

    — Eduardo Monteiro.

    No ano anterior, o volume de fertilizantes distribuídos no Brasil alcançou um recorde de 49 milhões de toneladas. Para este ano, as previsões indicam uma redução de 5 a 10 milhões de toneladas, com quedas significativas nos insumos de nitrogênio e fósforo.

    Monteiro acredita que a queda nas entregas será mais moderada, possivelmente na faixa inferior de 5 milhões de toneladas. A alta dos custos de adubos está diretamente relacionada ao aumento nos preços das commodities.

    Os preços dos fertilizantes têm fluctuado drasticamente desde o início da guerra. Por exemplo, o custo do enxofre subiu de US$ 435 para US$ 1.152 por tonelada, enquanto o MAP (fosfato monoamônico) passou de US$ 635 para US$ 890.

    Além da alta nos preços, a guerra também complicou a logística de importação dos insumos, com o total de entrega levando cerca de três meses. As empresas precisam se planejar estrategicamente para evitar interrupções.

    A Yara Brasil, por exemplo, afirma que consegue manter um bom abastecimento, mesmo com as dificuldades de logística, pois 50% de sua matéria-prima é proveniente de suas próprias operações.

    Contexto

    As tensões no Oriente Médio, inclusive a possibilidade de fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb, levantam diversas preocupações sobre a segurança do abastecimento de fertilizantes, especialmente considerando que a Arábia Saudita é um dos principais exportadores.

    Analistas destacam a importância de acelerar as compras nos próximos meses para restabelecer os estoques nos níveis anteriores, em meio a um panorama global incerto.

    Gabriel Rodrigues

    Jornalista especializado em Agronegócio com mais de 10 anos de experiência. Apaixonado por contar histórias que fazem a diferença.

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    Gabriel Rodrigues

    Jornalista especializado em Agronegócio

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