A guerra no Oriente Médio afeta o abastecimento e os preços.

Cinco meses após o início do conflito no Oriente Médio, a indústria brasileira de fertilizantes antecipa uma redução de pelo menos 10% nas entregas para a safra 2026/27. Este cenário resulta da instabilidade logística provocada pela guerra, que disparou os preços dos insumos.
Além da questão logística, fatores como o endividamento crescente dos produtores rurais, a elevação das taxas de juros e a menor rentabilidade das principais culturas exacerbam a situação, dificultando a aquisição de fertilizantes.
Para a safra de soja que se inicia em setembro em diversas regiões, estima-se que apenas 80% das compras haviam sido realizadas até agora, uma queda de cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior. Já para o milho de segunda safra, 30% das aquisições foram feitas, uma ligeira diminuição em comparação com 35% no mesmo período do ano passado.
✨ Apesar das dificuldades, a expectativa é que o impacto no mercado de fertilizantes seja menos severo do que inicialmente previsto.
Eduardo Monteiro, gerente da Mosaic Fertilizantes no Brasil e Paraguai, destacou uma recente melhora nas vendas, com cerca de 3 milhões de toneladas de fertilizantes comercializadas nas últimas semanas, impulsionadas pela elevação dos preços da soja.
"As últimas três semanas trazem uma dose de otimismo, mas ainda enfrentamos um cenário desafiador
No ano anterior, o volume de fertilizantes distribuídos no Brasil alcançou um recorde de 49 milhões de toneladas. Para este ano, as previsões indicam uma redução de 5 a 10 milhões de toneladas, com quedas significativas nos insumos de nitrogênio e fósforo.
Monteiro acredita que a queda nas entregas será mais moderada, possivelmente na faixa inferior de 5 milhões de toneladas. A alta dos custos de adubos está diretamente relacionada ao aumento nos preços das commodities.
Os preços dos fertilizantes têm fluctuado drasticamente desde o início da guerra. Por exemplo, o custo do enxofre subiu de US$ 435 para US$ 1.152 por tonelada, enquanto o MAP (fosfato monoamônico) passou de US$ 635 para US$ 890.
Além da alta nos preços, a guerra também complicou a logística de importação dos insumos, com o total de entrega levando cerca de três meses. As empresas precisam se planejar estrategicamente para evitar interrupções.
A Yara Brasil, por exemplo, afirma que consegue manter um bom abastecimento, mesmo com as dificuldades de logística, pois 50% de sua matéria-prima é proveniente de suas próprias operações.
As tensões no Oriente Médio, inclusive a possibilidade de fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb, levantam diversas preocupações sobre a segurança do abastecimento de fertilizantes, especialmente considerando que a Arábia Saudita é um dos principais exportadores.
Analistas destacam a importância de acelerar as compras nos próximos meses para restabelecer os estoques nos níveis anteriores, em meio a um panorama global incerto.
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