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Agronegócio
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Indústria de sementes de soja enfrenta incertezas e queda na comercialização

Cenário atual impacta decisões de compra dos produtores para safra 2026/27

Fernanda Lima08 de maio de 2026 às 05:10
Indústria de sementes de soja enfrenta incertezas e queda na comercialização

A indústria de sementes de soja no Brasil, que movimenta anualmente mais de R$ 30 bilhões, enfrenta um momento crítico. As margens reduzidas para os agricultores e o aumento dos custos devido ao contexto geopolítico, especialmente a guerra no Oriente Médio, têm gerado atrasos nas decisões de compra para a safra 2026/27.

André Schwening, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass), destacou durante o Encontro Nacional dos Produtores de Sementes de Soja (Enssoja), realizado em Foz do Iguaçu (PR), que a incerteza econômica e questões relacionadas aos custos dos fertilizantes têm dificultado a comercialização.

O presidente da Abrass mencionou que é cedo para prever a performance do setor para o próximo ciclo, embora a expectativa seja de um equilíbrio maior entre oferta e demanda.

Schwening enfatizou que o ano passado ofereceu condições climáticas ideais, resultando em uma supersafra que ampliou a oferta de sementes. Para a consultoria Agroconsult, a área de cultivo de soja no Brasil deve se manter em 49 milhões de hectares na temporada 2026/27.

Apesar da desaceleração da expansão, o dirigente acredita que ainda há oportunidades de crescimento, especialmente em pastagens, dependendo da demanda, rentabilidade e contexto geopolítico.

Desafios do Mercado

A produção excessiva de sementes no ano anterior deixou o mercado 'estressado' em termos de oferta. No entanto, a colheita deste ano foi prejudicada por chuvas intensas, impactando a qualidade das sementes e afetando principalmente as sementes não certificadas.

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O clima afeta significativamente a indústria de sementes, especialmente em termos de infraestrutura de produção

André Schwening

Aperto no Crédito e Impactos Locais

Na sementeira Ouro Verde, de Minas Gerais, o diretor-executivo Guilherme Piva alertou que as vendas estão abaixo do normal, o que é atribuído ao aperto no crédito e ao aumento dos preços dos insumos. A empresa processa cerca de 500 mil sacas de sementes anualmente e reportou uma queda de 30% no volume disponível para venda em comparação à safra anterior.

Rodrigo Felgar Aprá, sócio-diretor da Triunfo Sementes, que produz 800 mil sacas ao ano, indicou que a inadimplência e os pedidos de recuperação judicial têm levado a empresa a ser mais cautelosa. A expansão foi interrompida, mas a adoção de tratamentos de sementes deve crescer entre 10% e 15%.

Aprá considera que 60% da produção já está negociada para a próxima safra, o que é um ritmo considerado normal.

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