Valor representa queda de 79% em relação ao ano anterior, aponta Itaú BBA.

As agtechs brasileiras captaram R$ 94,7 milhões em investimentos no primeiro semestre de 2026, distribuídos em oito operações, conforme levantamento do Itaú BBA obtido pelo Valor. Esse valor representa uma queda de 79% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram investidos R$ 450 milhões em 17 transações.
A queda atual se deve a uma base de comparação elevada, especialmente após uma rodada de captação da Solinftec, empresa de inteligência artificial e robótica aplicada à agricultura, que por si só movimentou R$ 300 milhões no primeiro semestre de 2025. Ao desconsiderar esse investimento, a redução total seria menor, com uma queda de 37%.
✨ Do total captado, 92% está concentrado em startups que operam ‘antes da porteira’ e ‘dentro da porteira’, focando na produção agropecuária e na gestão adequada.
As agtechs que receberam investimentos neste período incluem a Agrorobótica, BemAgro e Sensix, que atuam com agricultura de precisão, e as empresas Culttivo e Nagro voltadas a crédito rural. Além delas, a Agrosys e erural se focam em gestão e comercialização, enquanto a TRAG é especialista em seguro rural e gestão de riscos climáticos.
Matheus Borella, do Itaú BBA, apontou que a alta taxa de juros e a aversão ao risco estão inibindo investimentos maiores, embora ainda haja interesse por partes dos investidores. A prioridade atual para negócios no agronegócio é a redução de custos, uma preocupação constante para os produtores, principalmente em tempos de margens mais apertadas.
Apesar da queda nos investimentos, Borella afirma que essa situação não é alarmante, ressaltando uma mudança no perfil dos investidores que se tornaram mais conscientes e seletivos. Ele também destacou que o agronegócio é um mercado cíclico e que a preferência dos investidores está cada vez mais voltada para negócios com eficiência operacional, geração de valor e capacidade de escala.
Além disso, ele enfatizou que as tecnologias relacionadas à eficiência, automação e uso inteligente de dados continuam a atrair o interesse dos investidores, mesmo em um cenário de menor liquidez.
Em 2025, o Itaú BBA registrou que os investimentos em agtechs totalizaram cerca de R$ 562 milhões, provenientes de 26 rodadas, indicando uma queda de 50% em comparação com 2024.
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