Criação de abelhas sem ferrão atrai novos empreendedores urbanos

A criação de abelhas, uma atividade tradicionalmente rural, está se popularizando nas áreas urbanas, com cada vez mais pessoas adotando a manutenção de espécies nativas sem ferrão. Esses empreendedores encontraram nas abelhas um novo hobby e, ao mesmo tempo, uma maneira de aumentar a renda.
Anderson Magalhães, um apicultor de Ribeirão Preto (SP), conta sua história de paixão pelos insetos, ressaltando que a conexão inicial ocorreu aos 12 anos, ao descobrir um enxame mantido pelo pai de um amigo. Com 37 anos, ele hoje gerencia mais de 600 colmeias e criou 120 colônias de 36 espécies diferentes dentro da cidade, tornando a apicultura uma atividade viável mesmo em ambientes urbanos densamente povoados.
""Depois que a gente é ‘ferroado’ por uma abelha sem ferrão, a gente se apaixona por elas"
Juliana Massimino Feres, bióloga em São Carlos, familiarizou-se com a meliponicultura após a queda de uma colmeia na casa dos avós. Ela encontrou nesta prática um encaixe perfeito para sua vida como mãe e defensora da restauração ecológica, criando com sucesso até 50 colmeias urbanas. Sua iniciativa a levou a fundar a marca de mel Eborá, que já representa 30% de sua renda.
✨ A meliponicultura tem se consolidado como uma atividade que atrai tanto empreendedores urbanos quanto conservacionistas.
Gustavo Siniscalchi, também apicultor, realiza sua atividade em Jaboticabal, enfrentando desafios tanto na área urbana quanto na rural. Ele destaca que mesmo com florações de qualidade, os inseticidas aplicados em áreas urbanas podem devastar colmeias inteiras.
Durante a pandemia, a Embrapa Meio Ambiente lançou um curso online sobre criação de abelhas, resultando em 15 mil inscrições. A popularidade dessa prática continua a crescer, criando uma cadeia produtiva com criadores especializados.
No Estado de São Paulo, a Secretaria de Agricultura mapeia 1.121 meliponários, sendo 141 localizados na capital. Embora a pasta não classifique se são urbanos ou rurais, reconhece o aumento de interesse na prática entre os cidadãos.
""A prática de criar abelhas nas cidades se dissemina porque muitos que criam no campo querem ter também em casa"
Apesar dos benefícios, Renata enfatiza a necessidade de registrar as colmeias nas Secretarias de Meio Ambiente e de Defesa Agropecuária para monitoramento sanitário e prevenção de doenças. Isso é crucial para a saúde das abelhas e do setor em expansão.
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