Movimentação variada reflete cautela com relatório do USDA e condições climáticas.

Na quarta-feira (7), o mercado da soja no Brasil apresentou comportamentos distintos entre as regiões produtoras. Enquanto o Rio Grande do Sul e Santa Catarina mostraram maior movimentação nas negociações, outras áreas mantiveram uma postura cautelosa em função do relatório de Oferta e Demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na sexta-feira (9).
De acordo com a análise realizada pela Grão Direto, os prêmios de exportação aumentaram, mesmo diante da pressão sobre os preços na Bolsa de Chicago, influenciada pelo avanço da colheita no país norte-americano. A Grainsights, que é a inteligência de mercado da Grão Direto, observou que a região Sul do Brasil teve uma disposição maior para negócios, com os produtores do Rio Grande do Sul e Santa Catarina aproveitando os preços disponíveis e a estabilidade do câmbio para concretizar vendas.
✨ Em Ponta Grossa, Paraná, a soja FOB foi cotada a R$ 149,59 por saca, com um prêmio de R$ 6,04, o maior entre as localidades analisadas.
Apesar da movimentação positiva no Sul, os estados como Paraná, Mato Grosso e Minas Gerais tiveram uma atividade comercial mais limitada, com alguns vendedores optando por esperar novas informações antes de negociar. Em Mato Grosso, o cenário foi de movimentação moderada, enquanto Mato Grosso do Sul e Minas Gerais registraram uma atividade comercial reduzida. Goiás e São Paulo também apresentaram negociações pontuais.
Em relação ao plantio, o levantamento indicou que em algumas partes de Mato Grosso, a irregularidade das chuvas interrompeu os trabalhos no campo, enquanto outras áreas conseguiram prosseguir. O plantio em Mato Grosso do Sul avançou nas regiões Centro e Sul, mas ainda está atrasado no Norte do estado.
No âmbito internacional, a proximidade do relatório WASDE do USDA tem contribuído para uma expectativa de cautela, já que o documento, que conterá informações sobre oferta e demanda agrícola, é aguardado pelos participantes do mercado. A Grainsights destaca a expectativa de que houve uma redução nas estimativas de estoques nos Estados Unidos, o que pode favorecer uma recuperação dos preços em Chicago, que vêm enfrentando pressão devido ao andamento da colheita.
Além disso, a análise ressalta a nova valorização do dólar, que voltou a ficar acima de R$ 5,00. Apesar disso, o aumento dos prêmios de exportação sugere uma maior sustentação dos preços nos portos, mesmo com os desafios em Chicago. Para os dias seguintes, os fatores a serem observados incluem os novos números do USDA, a reação do dólar e a regularidade das chuvas em Mato Grosso.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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