Dados indicam que menos de 20% dos registros são de produtos biológicos em 2026.

O setor de defensivos agrícolas no Brasil continua a ser dominado por produtos químicos tradicionais em 2026, enquanto os produtos biológicos representam uma porcentagem bem menor dos registros aprovados. De acordo com as informações fornecidas por Artur Vasconcelos Barros, Diretor Executivo do Grupo Central Campo, os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária revelam que, neste ano, foram registrados 342 defensivos agrícolas, dos quais menos de 20% são classificados como biológicos ou microbiológicos.
Em detalhes, herbicidas, fungicidas e inseticidas totalizam 236 registros, correspondendo a cerca de 70% do total. Por outro lado, os produtos biológicos e microbiológicos, abrangendo todas as categorias, não somam mais de 65 registros. Barros comenta que esses números contrastam com o crescente discurso em torno da transição para opções biológicas no setor, enquanto a química tradicional continua a ocupar a maior parte do mercado.
Entre as empresas atuantes, a Syngenta se destaca como a líder, com 33 registros. Empresas como Perterra, CHDS, AllierBrasil e Agrobeats também estão entre aquelas que acumularam registros de moléculas que já estão disponíveis no mercado há bastante tempo.
✨ Segundo Barros, esse cenário não deve ser considerado um avanço em inovação, uma vez que o ranking reflete, principalmente, a capacidade das empresas em garantir registros para moléculas já consolidadas. Embora requerer registros para um herbicida genérico e para uma nova molécula envolva esforços regulatórios, os impactos comerciais variam para os compradores e distribuidores desses produtos.
Ele alerta que a associação automática entre o aumento do portfólio e uma maior oferta de produtos inovadores ou técnicos é um risco a ser considerado para a distribuição. O aumento no número de registros pode indicar um maior volume de produtos genéricos, enquanto o avanço dos biológicos ainda é relativamente limitado. Com isso, a concorrência se mantém focada principalmente nas ofertas convencionais e no acesso a ativos regulatórios já bem conhecidos.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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