Produção mantém níveis, mas demanda interna cresce, sobretudo no etanol.

A safra de milho do Brasil para o ano 2025/26 deve apresentar uma produção estável, enquanto o consumo interno se destaca como um fator crescente no mercado. De acordo com o Rabobank, a demanda aumentada está fortemente ligada à expansão das cadeias de aves e suínos, que utilizam o milho em suas rações.
Para 2026, a previsão é que o consumo atinja 72 milhões de toneladas, o que representa um aumento de quase 2% em comparação ao ano anterior. A indústria de etanol de milho, no entanto, tem se mostrado como o principal motor de crescimento, tendo consumido 12,5 milhões de toneladas no primeiro semestre do ano, um salto de 2 milhões em relação ao mesmo período de 2025.
A expectativa é que, até o final do ano, o setor demande cerca de 27 milhões de toneladas, correspondente a aproximadamente 20% da produção total do milho. Este cenário deve impactar as exportações, que já enfrentam uma redução projetada de cerca de 3 milhões de toneladas em comparação a 2025, devido a uma absorção maior do mercado interno.
✨ O Brasil pode ver uma leve recuperação nos estoques finais de milho em relação a 2025, à medida que as exportações diminuem.
Além disso, a safra 2026/27 pode enfrentar desafios devido ao risco de El Niño, que poderá atrasar o plantio de soja e, consequentemente, a semeadura do milho safrinha. Apesar dessas preocupações, a demanda deve continuar a crescer, especialmente no setor de etanol durante o primeiro semestre de 2027.
Os preços do milho, por sua vez, mostraram resiliência, com cotações em Campinas alcançando 24% acima dos níveis de agosto de 2025. Contudo, o setor deve se atentar a riscos logísticos, principalmente na região do Arco Norte, caso haja uma redução do calado dos rios, além das incertezas externas relacionadas aos conflitos na Ucrânia.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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