Duas políticas agrícolas com orçamentos distintos e desafios em comum

O Brasil anunciou um total de R$ 622,4 bilhões para os programas de crédito do ciclo agrícola 2026/2027, através de dois ministérios diferentes, mas ainda é inferior ao que o setor agrícola havia requisitado.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), sob a liderança de André de Paula, foca na agricultura empresarial, incluindo a defesa agropecuária e a abertura de mercados internacionais. Em contrapartida, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) se dedica à agricultura familiar, ao Pronaf e à compra pública de alimentos. Ambos os ministérios têm seus respectivos Planos Safra, lançados em cerimônias separadas, com regras, taxas e públicos distintos.
O Plano Safra da agricultura empresarial, lançado em 30 de junho de 2026, somou R$ 525,1 bilhões, um aumento de R$ 9 bilhões em relação ao plano anterior. A maior parte desse montante, R$ 384,9 bilhões, está destinada ao custeio e comercialização, enquanto R$ 140,2 bilhões vão para investimentos nas propriedades. Em contrapartida, a agricultura familiar recebeu R$ 97,3 bilhões, dos quais R$ 85,2 bilhões são provenientes do crédito do Pronaf com juros baixos.
✨ Apesar do valor significativo, a demanda do setor era de até R$ 674 bilhões, o que destaca a disparidade entre a expectativa e a realidade do financiamento agrícola.
O anúncio de crédito rural, ao qual se aplica a equalização de taxas de juros, tem suas limitações devido ao custo fiscal que isso implica. O Tesouro Nacional cobre a diferença entre a taxa que os bancos cobram e a taxa acessível ao produtor. Com a Selic em queda, o custo dessa equalização permanece uma preocupação constante para o orçamento.
Em 2025, o PIB do agronegócio brasileiro foi de R$ 3,20 trilhões, representando 25,13% da economia. Em 2026, uma diminuição de 2,01% foi observada no primeiro trimestre, impactando a participação do setor na economia, que caiu para 22,8%.
Com um ano eleitoral à vista, a questão do crédito rural e as políticas agrícolas estão no centro do debate. A ex-ministra Tereza Cristina sugere que o próximo governo deve tratar o agronegócio com prioridade, para garantir a continuidade e a previsibilidade necessária ao setor.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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