Apesar do aumento na área cultivada, discrepância entre produção e demanda persiste.

A Nigéria continua sua tentativa de reduzir a dependência de trigo importado, mas ainda enfrenta uma significativa diferença entre a produção local e o consumo. Apesar da expansão nas lavouras nos últimos anos, a oferta interna permanece muito aquém da demanda.
Para a safra 2026/27, a Nigéria projeta uma produção de trigo em suas principais regiões produtivas de 140 mil toneladas, o que representa um aumento de 7% em relação ao ciclo anterior. Porém, a demanda é estimada em mais de 6,8 milhões de toneladas, enquanto as importações devem atingir 7,2 milhões, quase 500 mil toneladas a mais que em 2025/26.
✨ Nos últimos dez anos, o governo nigeriano tem trabalhado para reduzir pela metade a dependência de compras externas e aumentar a produtividade agrícola por meio do NAGS-AP, um programa financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento.
Este programa proporciona subsídios para sementes e fertilizantes, além de crédito, seguros agrícolas, assistência técnica e tecnologias adequadas ao clima. O banco relata que a área cultivada com trigo cresceu de 11,8 mil hectares em 2021 para quase 400 mil hectares em 2025, resultando em uma produção doméstica de cerca de 1,12 milhão de toneladas.
Entretanto, a ActionAid Nigeria levantou preocupações sobre a falta de transparência, solicitando evidências mais concretas para validar os resultados. As iniciativas do governo também incluem linhas de crédito, a integração entre produtores e moinhos e o incentivo ao uso de sementes resistentes ao calor.
Ainda assim, a Nigéria permanece dependente das importações, enfrentando desafios como insegurança nas áreas produtoras, altos custos dos insumos e instabilidade nas políticas fiscais e comerciais. Tarifas sobre trigo importado elevam os preços de produtos como pão, massas e sêmola, apresentando um grande desafio para ampliação da produção sem impactar os preços ao consumidor.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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