Novo modelo tecnológico antecipa decisões no agronegócio
Ferramenta da UFRGS simula cenários para auxiliar produtores rurais.

O agronegócio brasileiro está se transformando com a introdução de tecnologias que vão além de resolver problemas diários, buscando prever o futuro das propriedades rurais. Um novo modelo bioeconômico, desenvolvido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), utiliza a metodologia de 'dinâmica de sistemas' para simular todo o ecossistema de uma fazenda.
Essa inovadora abordagem permite a previsão de cenários de médio e longo prazo, ajudando os agricultores a tomarem decisões de forma antecipada, antes que alterações climáticas ou crises econômicas ocorram. O sistema matemático traduz a realidade da fazenda em equações, oferecendo projeções que se baseiam em condições reais.
✨ O modelo se destaca por interligar a maioria das variáveis de produção, superando as limitações da inteligência artificial tradicional, que atende necessidades específicas.
Soraya Tanure, professora e pesquisadora da UFRGS, que idealizou o sistema, enfatiza que a tecnologia atual tipicamente aborda problemas isolados. Segundo ela, 'a inteligência artificial se limita a resolver questões pontuais, e carecemos de uma linguagem que permita um aprendizado mais ágil no agronegócio'.
O sistema demanda um diagnóstico abrangente da fazenda, levando em consideração fatores como área total, tipo de pastagem e localização geográfica. Uma das dificuldades, conforme explica Soraya, é a interconexão das equações, algo que a inteligência artificial convencional não consegue realizar.
"'Muitas vezes, o produtor discorda do diagnóstico fornecido, pois tem preferência por uma determinada atividade produtiva. Contudo, se ele analisar seus custos e a realidade de seu local, poderá perceber que a atividade escolhida pode não ser a mais viável', destaca a pesquisadora.
O modelo também revela que alta produtividade nem sempre se traduz em boa rentabilidade, uma vez que custos financeiros elevados podem tornar a operação insustentável. Atualmente, o projeto está em estágio intermediário, com 50% da base de dados completa e a necessidade de catalogar mais 25 propriedades para finalizar sua validação.
A equipe da UFRGS está buscando novas propriedades, especialmente aquelas que trabalham com pecuária de corte ou cultivos de soja e arroz, para participar do projeto sem custos, apenas compartilhando dados que resultarão em um diagnóstico de eficiência gratuito. Soraya conclui afirmando que, 'com a validação deste modelo, poderemos desenvolver políticas públicas e outras ferramentas de suporte efetivo ao agronegócio'.
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