Startup de rastreabilidade agropecuária amplia sua atuação no mercado halal, mesmo diante de tensões regionais.

A Ecotrace, uma startup brasileira especializada em rastreabilidade no agronegócio, deu início a uma nova rodada de investimentos, com o objetivo de levantar entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões. Os recursos serão direcionados para a abertura de escritórios na Europa e no Oriente Médio, regiões que consomem uma grande parte dos produtos brasileiros que a empresa rastreia.
Esta é a sexta vez que a Ecotrace busca investimento desde sua fundação, há oito anos. Nas edições anteriores, a startup conseguiu atrair aproximadamente R$ 11,2 milhões. Em paralelo, a empresa planeja expandir seus negócios no mercado halal, focando na certificação de abate de animais conforme os preceitos islâmicos.
"Ainda é cedo para avaliar os impactos do conflito no Oriente Médio em nossos negócios, mas seguimos otimistas
✨ Em 2024, a Ecotrace investiu R$ 6 milhões na criação da subsidiária Ecohalal.
No ano passado, a empresa rastreou 39 milhões de bovinos e 112 milhões de aves no Brasil.
A Ecotrace se destaca por sua plataforma que integra dados ambientais, trabalhistas e produtivos, assegurando a rastreabilidade da commodity desde o início da produção até sua venda. O sistema verifica desde a origem do produto até a conformidade com a legislação ambiental e trabalhista.
Um exemplo prático é o controle feito sobre um lote de 40 mil frangos, onde se garante que não haja relações com áreas desmatadas ou fornecedores com histórico de trabalho escravo. Após essa verificação, um laudo é registrado em blockchain, disponibilizando o histórico do lote por meio de um QR Code em suas embalagens.
Redi ressalta que cada tipo de commodity possui um protocolo específico a seguir. Para a exportação de gado para a Europa, por exemplo, os bois devem ser identificados para garantir que cada cabeça de gado seja rastreada.
A Ecohalal, iniciada há dois anos, agora rastreia carnes de boi e aves para o mercado halal. Com um mercado estimado em US$ 2,9 trilhões, Redi acredita que 2026 será um ano crucial para a evolução da empresa nesse setor.
Além dos avanços na proteína, a Ecotrace planeja iniciar o rastreamento de grãos, com uma nova colaboração para monitoramento do feijão da Kicaldo. O foco atual, segundo Redi, é consolidar sua presença nos mercados que já atende.
Entre as expectativas, a Ecotrace prevê crescer entre 20% e 30% até 2026, almejando alcançar R$ 60 milhões em faturamento até 2028, após registrar R$ 7 milhões em 2023.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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