Voltar
Agronegócio
3 min de leitura

Percepção positiva do agro brasileiro não se reflete em preços altos

Estudo revela que imagem do Brasil no exterior não impulsiona vendas internacionais.

Ricardo Alves12 de maio de 2026 às 09:20
Percepção positiva do agro brasileiro não se reflete em preços altos

A pesquisa Marca Brasil, divulgada nesta semana pela OnStrategy, demonstra que, apesar de uma imagem positiva do setor agro brasileiro no exterior, isso não se traduz em preços mais altos ou maior valorização dos produtos no mercado internacional.

O agro brasileiro se destaca pela beleza e cultura, mas não consegue converter isso em valor nos preços.

Com uma pontuação de 7,5 em atributos simbólicos, o Brasil ainda falha em transformar essa admiração em interesse financeiro, como apontam as 192.400 entrevistas realizadas com brasileiros e 278.200 estrangeiros entre outubro de 2025 e março de 2026.

A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, explica que, apesar da alta capacidade produtiva e dos produtos de qualidade, o Brasil ainda está preso a um modelo de exportação que prioriza commodities. Isso é evidente em estados como Mato Grosso, que mesmo sendo um grande produtor, possui uma imagem internacional inferior.

Dificuldades na valorização dos produtos

Embora Mato Grosso responda por 17,4% das exportações do agronegócio brasileiro, a percepção internacional de seus produtos fica em 3,4, indicando que, embora os produtos sejam enviados, a marca 'Mato Grosso' permanece desconhecida.

O estado exportou US$ 29,38 bilhões em produtos agro, incluindo carnes e cereais, mas mais da metade dessa receita veio do complexo soja, sugando a diversificação necessária para promoção de outras culturas.

A importância da diferenciação

A pesquisa da OnStrategy revela que produtos culturais, como café e vinho, têm uma imagem muito mais forte quando associados à sua origem. Enquanto isso, os produtos básicos não têm reconhecimento equivalente.

"

“O reconhecimento da origem brasileira já é um diferencial em muitos mercados, associando qualidade ao produto”, afirma Sueme Mori.

Júlio César Moreira, presidente do INPI, destaca a importância de nichos específicos que valorizem procedência e qualidade, refletindo uma tendência global em que o público está disposto a pagar mais por produtos certificados.

As indicações geográficas têm o potencial de transformar a percepção dos produtos brasileiros no exterior, criando um diferencial competitivo.

Apesar do crescimento em número de Indicações Geográficas no Brasil, o reconhecimento ainda é muito concentrado, com a maioria dos selos relacionados a regiões como o Sul e Sudeste, especialmente em produtos como café.

Contexto

A pesquisa Marca Brasil ilustra a realidade do setor agro e como a valorização das propriedades e produtos culturais pode fazer a diferença nas exportações brasileiras.

O estudo da OnStrategy também revela que as IGs estão ganhando destaque nas negociações internacionais, facilitando a entrada de produtos brasileiros em mercados exigentes, como o europeu.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de Agronegócio