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Agronegócio
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Preços do leite mostram desaceleração após meses de alta

Valorização ainda se mantém, mas expectativas de queda se destacam

Acro Rodrigues16 de junho de 2026 às 05:10
Preços do leite mostram desaceleração após meses de alta

Os preços do leite pagos aos produtores no Brasil têm demonstrado um leve recuo após um período de quatro meses de crescimento robusto, embora ainda estejam significativamente mais altos em comparação ao início do ano.

A alta é habitual para esta época de entressafra, mas, de acordo com os produtores, reflete também a queda nos preços do ano passado, que desincentivou a produção. Espera-se que a tendência de desaceleração continue no segundo semestre, embora não de forma acentuada como ocorreu em 2025.

Entre janeiro e abril deste ano, o preço médio do leite ao produtor teve um aumento de 31%, subindo de R$ 2,02 para R$ 2,65.

Esse aumento acabou se refletindo nas prateleiras dos supermercados, onde o leite e seus derivados subiram 9,83% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No caso do leite longa vida, o aumento foi ainda mais significativo, atingindo 22,32%.

Em maio, o preço do leite pago ao produtor, referente ao produto entregue em abril, aumentou 6,5% em relação ao mês anterior, alcançando R$ 2,452 por litro, conforme dados da Scot Consultoria.

As previsões para junho indicam que 49% dos laticínios consultados esperam que os preços se mantenham estáveis. Somente 10% prevêem novas altas, enquanto 41% estimam uma queda.

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Com a expectativa de uma boa segunda safra de milho e maior esmagamento de soja, esses fatores poderão favorecer investimentos em nutrição e produtividade em sistemas mais intensivos, contribuindo para o viés de queda das cotações.

O cenário do mercado lácteo neste início de 2026 é diferente, com preços até 20% mais baixos que os de um ano atrás, o que tem incentivado a demanda. Valter Galan, da consultoria MilkPoint, aponta que isso está associado ao aumento do reajuste salarial e à diminuição da taxa de desemprego.

Em 2025, a produção de leite cru no país cresceu 8,5%, totalizando um recorde de 27,5 bilhões de litros, e a expectativa é que a demanda se mantenha firme, mesmo com a desaceleração da oferta a partir do segundo semestre.

Embora os preços possam não registrar uma queda dramática como no ano passado, o aumento na oferta de leite normalmente observado na segunda metade do ano pode levar a uma desaceleração dos preços ao consumidor.

Contudo, os produtores enfrentam desafios com o aumento dos custos, que têm sido pressionados por tensões globais e o aumento nos preços de insumos. Geraldo Borges, da Associação Brasileira dos Produtores de Leite, ressalta que, apesar da recuperação de preços, ainda há um longo caminho a percorrer antes que os valores correspondam aos do passado.

Outro ponto de destaque é a crescente demanda por whey protein, especialmente na Região Sul, onde a produção desse subproduto está aumentando. Valter Galan indica que os preços do soro em pó subiram de cerca de R$ 6 para quase R$ 7,50, com transações recentes atingindo entre R$ 9 e R$ 11 por quilo.

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