Novas exigências e falta de crédito complicam a reestruturação financeira do setor agrícola.

Produtores rurais endividados estão passando por altos obstáculos na renegociação de suas dívidas com instituições financeiras. Apesar das medidas propostas para facilitar a reorganização das dívidas no campo, as dificuldades persistem.
Entre os principais entraves destacados estão novas exigências documentais, alteração nas garantias e a cobrança de um valor de entrada para a efetivação da operação. Alexandre Mendes, presidente da Associação Brasileira de Direito Agrário e Agronegócio (Juragro), alertou sobre esses desafios em entrevista ao Canal Rural.
✨ “Muitas instituições financeiras tratam a reorganização das dívidas como uma nova operação de crédito, exigindo novas garantias e documentação”, destacou Mendes.
O problema ocorre em um período de forte restrição de financiamento ao setor, com um levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) mostrando uma queda de mais de 25% na área financiada para custeio agropecuário no Brasil.
Mendes também apontou a dificuldade em atender as exigências documentais e a cobrança de entradas, que podem ser uma barreira para aqueles já endividados e com dificuldades financeiras.
Este cenário de dificuldades na renegociação de dívidas coincide com a diminuição do acesso a novos recursos de crédito. A área financiada para custeio agropecuário no Brasil caiu de 34 milhões para 25 milhões de hectares entre julho de 2025 e julho de 2026.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) expressou preocupação com a implementação da nova medida, ressaltando que a renegociação não está atingindo a velocidade e escala necessárias, especialmente para pequenos produtores.
A situação se agrava com o aumento de operações em atraso, inadimplência e prorrogações, que cresceram significativamente nos últimos dois anos, comprometendo a capacidade de investimento dos produtores.
Mendes também destacou que a redução da área plantada, devido à falta de financiamento, pode ter efeitos mais amplos, impactando a oferta de alimentos, embora a relação com o mercado e câmbio também influencie.
O presidente da Juragro enfatiza a necessidade de garantir que os mecanismos de renegociação cheguem efetivamente aos produtores. Ele pediu atenção também para as Cédulas de Produto Rural (CPRs), dada a dificuldade enfrentada por produtores que operam com fornecedores e cooperativas.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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