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Agronegócio
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Queda nos preços do etanol reflete aumento da oferta no Brasil

Mercado de etanol é pressionado pela maior moagem de cana e demanda reduzida

Ricardo Alves30 de abril de 2026 às 17:55
Queda nos preços do etanol reflete aumento da oferta no Brasil

Os preços do etanol hidratado e anidro no Brasil sofreram queda recente, impulsionados pela ampliação da moagem de cana e aumento na oferta nas usinas.

De acordo com dados do Cepea, da Esalq, o etanol hidratado viu uma retração de aproximadamente 15% nas últimas quatro semanas, enquanto o anidro caiu cerca de 14%.

Fatores por trás da queda

Essas diminuições refletem a maior disponibilidade de produto nas usinas, a demanda moderada com compradores esperando novos preços em queda e a pressão sazonal típica do início de safra.

Em março, o preço médio do etanol hidratado foi R$ 2,9288 por litro, enquanto o anidro fechou em R$ 3,2834 por litro.

Apesar da queda, o desempenho da safra 2025/26 ainda é considerado positivo, com o hidratado apresentando uma média de R$ 2,7805 por litro, o que representou um aumento real de 6,52% em relação ao ciclo anterior.

O anidro também teve uma valorização, com média de R$ 3,1291 por litro, mostrando um crescimento de 6,21%.

Desempenho de vendas e consumo

Entretanto, o volume de vendas de etanol hidratado nas usinas de São Paulo caiu 28% nesse período, indicando que os preços mais altos não foram suficientes para manter o consumo.

No mercado de combustíveis, a gasolina teve um aumento nas vendas, que cresceram 5,64%, atingindo 43,38 bilhões de litros, enquanto o consumo de etanol hidratado caiu 4,24%, totalizando 19,04 bilhões de litros.

Expectativas para a safra 2026/27

Para a nova safra, que começou em abril, as usinas adotam uma postulação cautelosa. Com uma oferta maior e a volatilidade do petróleo, a competitividade do etanol em relação à gasolina poderá ser impactada.

Projeções indicam que a moagem de cana deve alcançar entre 625 e 630 milhões de toneladas no Centro-Sul, uma alta de até 4%, o que pode beneficiar o mercado do etanol.

Enquanto o Centro-Sul enfrenta um cenário mais otimista, o Norte e Nordeste priorizaram a produção de etanol na reta final da safra, resultando em uma produção de 2,79 bilhões de litros até fevereiro, superando o ciclo anterior.

Essa situação fez com que os preços do hidratado se mantivessem estáveis em estados como Pernambuco, Paraíba e Alagoas, enquanto o anidro apresentou baixa devido à concorrência com produtos de outras regiões.

O setor sucroenergético entra nessa nova fase dividido entre a possível recuperação do etanol, dependente do cenário energético global, e a manutenção dos preços do açúcar devido às restrições de oferta no mercado internacional.

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