Safra de gengibre no Espírito Santo deve crescer 5% em 2026
Estado lidera produção nacional e caminha para aumento na exportação

A safra de gengibre no Espírito Santo, que representa a maior parte da produção e exportação nacional, deve registrar um crescimento de 5% neste ano, conforme dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). Com isso, a expectativa é que a colheita alcance cerca de 87 mil toneladas.
Atualmente, o Estado planta aproximadamente 1.170 hectares e é responsável por 75% da produção e 59% das exportações brasileiras. Nos primeiros meses do ano, os produtores capixabas abasteceram o mercado dos Estados Unidos com gengibre baby, colhido de forma antecipada e transportado por via aérea. Neste mês, iniciaram a colheita do gengibre maduro, focando agora nas exportações para a Europa, embora a lentidão dos negócios seja um desafio.
Galderes Magalhães, engenheiro agrônomo do Incaper, destaca que mais de 90% da produção é destinada à exportação, principalmente através da agricultura familiar. A produtividade média de 60 toneladas por hectare deve aumentar com a introdução de uma nova cultivar local, mas os preços estão baixos em torno de R$ 35 por caixa de 14 quilos, o que representa uma queda significativa em comparação ao início do ano.
✨ A baixa nos preços é resultado do aumento na produção global, incluindo gengibre da China e do Peru, que competem diretamente com o produto brasileiro.
Regiano Foeger, agricultor de Santa Maria de Jetibá, começou a exportar diretamente há três anos com seu empreendimento Mar Agronegócios. Ele reduziu a área plantada para seis hectares devido aos preços baixos, que não cobrem os custos de produção. Foeger destacou que sua empresa exporta entre um e três contêineres semanalmente, mas a situação de preços está preocupante.
Alexandre Lemke Belz, um dos maiores produtores de gengibre orgânico do Estado, também sofre com a queda nos preços em meio ao aumento da oferta global. Ele planeja manter parte de sua colheita na terra, apostando em uma possível recuperação de preços. Enquanto isso, Leomar Schaeffer, que cultiva gengibre ao lado de 16 parceiros, espera uma recuperação nas exportações após agosto.
Desafios na comercialização e manuseio
O ritmo lento das vendas impacta diretamente os agricultores. Mirian Gonoring, que trabalhou nas plantações de gengibre da família, encontrou dificuldades devido à baixa oferta de mão-de-obra e a queda na qualidade da colheita. Ela mencionou que, apesar dos investimentos para garantir um bom produto, as vendas não estão compensando os esforços.
Siliano Lahasse, que começou a cultivar gengibre em 2019, também está adiando a colheita, pois os preços não são atrativos. Ele implementou inovações na colheita para minimizar os impactos da escassez de trabalhadores. Todos os produtores entrevistados destacaram a necessidade de recuperação dos preços e o impacto significativo que as condições atuais estão gerando em suas operações.
Além do cenário econômico desafiador, Galderes do Incaper alertou que os exportadores terão que apresentar certificação fitossanitária para o gengibre, atestando que está livre da bactéria 'Ralstonia pseudosolacearum', que pode causar doenças devastadoras. A presença dessa bactéria em amostras importadas afetou a produção na América, incluindo o Peru, que enfrenta dificuldades.
Contexto
O Espírito Santo é o principal estado produtor de gengibre do Brasil, contribuindo significativamente na exportação do produto. No entanto, a competencia global e o preço baixo têm preocupado os agricultores locais.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Mais de Agronegócio

Mercado de fertilizantes enfrenta variações significativas em 2026
Análise aponta diferenças notáveis entre oferta e demanda global

MDA lança PAS TERRA para impulsionar agroecologia e agrofloresta
Iniciativa busca transformar sistemas alimentares e promover resiliência climática

Queda nas cotações do boi gordo afeta mercado paulista
Frigoríficos revisitavam preços diante de demanda lenta

Condições climáticas afetam mercado do milho no Brasil
Impactos das geadas e demanda internacional preocupam produtores





