Cenário climático ameaça as colheitas futuras, especialmente em 2027

Em 2026, a produção de café em Minas Gerais apresenta uma previsão impressionante com uma safra recorde, mas o aumento das preocupações climáticas vem pairando sobre o futuro da cafeicultura no estado.
De acordo com Tatiane Oliveira, especialista em logística e gestão operacional, a combinação do aquecimento global e a irregularidade climática podem resultar em consequências severas, particularmente para a safra de 2027. Minas Gerais responde por 50% da produção de café do Brasil e cerca de um terço do arábica no mundo.
✨ A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra de café no estado alcance 33,4 milhões de sacas em 2026, um crescimento de 29,8% em relação ao ano anterior.
Esse aumento na produção é impulsionado pela bienalidade positiva e por chuvas adequadas antes do período de floração. No entanto, o risco climático se intensifica com a previsão do fenômeno El Niño para o segundo semestre, que poderá impactar a produção de 2027, mesmo não afetando diretamente a safra de 2026.
A situação torna-se ainda mais crítica com os dados de aquecimento observados em Minas Gerais. Turmalina, no Vale do Jequitinhonha, lidera o ranking do Cemaden, apresentando um aumento de 5,52°C acima da média das máximas diárias em 2023. Das 20 cidades mais quentes do Brasil, 19 estão em Minas Gerais, destacando-se o Jequitinhonha.
"A tendência de aquecimento contínuo no Jequitinhonha é clara e tem sido registrada há pelo menos seis décadas, vinculada ao aquecimento global e à degradação da vegetação nativa.
Além disso, a mesorregião Norte de Minas, que integra o semiárido brasileiro, viu sua área aumentar significativamente, com municípios como Gameleiras, Espinosa e Mamonas já enfrentando climas áridos. Em dezembro de 2023, um estado de emergência por seca foi declarado em 62 municípios, abrangendo as regiões Norte, Vale do Mucuri e Jequitinhonha.
Ciclos de seca severa ocorreram em anos como 1939, 1975/76, 1996/97, 2015/16 e 2023/24, demonstrando um padrão de intervalos mais curtos e impactos cada vez mais intensos.
Embora a safra recorde de 2026 represente uma conquista significativa, é crucial reconhecer que as pressões sobre o solo, a floresta, os recursos hídricos e as populações vulneráveis nas áreas produtoras ainda se mantêm elevadas, exigindo cautela e planejamento para o futuro da cafeicultura no estado.
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