Entenda como a aplicação de defensivos impacta a safra e a importância da nanotecnologia

A aplicação de defensivos agrícolas tem se tornado cada vez mais desafiadora, com custos que encarecem o orçamento da safra. Embora a eficiência dos produtos seja essencial, a quantidade de princípio ativo que efetivamente alcança seu alvo e permanece ativo é uma variável frequentemente negligenciada. Segundo a Nutristrahl, pelo menos seis fatores podem comprometer essa eficácia.
Os três primeiros fatores estão relacionados ao manejo durante a operação de aplicação. Primeiramente, o preparo inadequado da calda, onde a ordem de adição, a qualidade da água e interações químicas entre ativos podem inativar parte do defensivo antes mesmo de sua aplicação. Em segundo lugar, a qualidade da aplicação, que depende da cobertura adequada no alvo e do tamanho das gotas: gotas grandes demais podem escorrer, enquanto gotas pequenas demais podem evaporar ou derivar. O terceiro ponto é a perda de defensivo para fora do alvo, influenciada por condições como vento, temperatura e umidade.
Os três fatores seguintes são menos visíveis e não facilmente controláveis. O quarto fator diz respeito à absorção do ativo pela planta, que pode falhar devido a uma incompatibilidade química entre a maioria dos defensivos, que são polares, e a cutícula das folhas, que é apolar. Em seguida, a degradação do residual pelo impacto da radiação ultravioleta, pela chuva e por reações químicas internas das plantas reduz a eficácia do produto. Por fim, o sexto fator envolve o custo adicional gerado pela necessidade de reaplicações, ou pelo curto período de proteção e cobertura irregular, que podem significar baixo aproveitamento do defensivo, mesmo quando este é aplicado na dose recomendada.
✨ A nanotecnologia está ajudando a resolver problemas de absorção e degradação, com a tecnologia OCC, que melhora a entrega de defensivos às plantas.
A tecnologia OCC, distribuída no Brasil pela Nutristrahl, atua fundamentalmente nos quatro e quinto pontos anteriores, utilizando nanopartículas que encapsulam ativos da calda, ajudando a disponibilizá-los em uma superfície compatível com a membrana vegetal. Um estudo da DATAGRO realizado em junho de 2024 em uma usina em Goiás evidenciou que a adição de OCC a uma calda de glifosato, isoxaflutole, 2,4-D e fertilizante mineral melhorou significativamente a eficácia na dessecação de soja.
Ao comparar a eficácia em dois tratamentos com a mesma calda, mas com a adição de OCC no segundo, os resultados mostraram uma nota média de 6,0 para o padrão e 7,7 para o tratamento com OCC, revelando um controle mais completo sobre a cultura no mesmo intervalo e com a mesma dose de herbicida.
Além disso, o controle de buva em um ensaio brasileiro também demonstrou como o uso da nanotecnologia com OCC sustentou melhores resultados ao longo do tempo, destacando a vantagem da sua aplicação em relação ao tratamento padrão, que começou a perder eficácia antes do esperado.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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