Impulsionado por investimentos, o crédito no setor atinge R$ 52,8 bilhões.

A cooperativa Sicredi reportou um aumento significativo no crédito rural, alcançando R$ 52,8 bilhões nos primeiros nove meses da safra 2025/26. Esse valor representa um crescimento de 16,5% em comparação com a safra anterior.
O principal impulso veio do setor de investimentos, cuja liberação de recursos saltou de R$ 9,3 bilhões para R$ 15,4 bilhões, marcando um notável crescimento de 67%. Por outro lado, o crédito para custeio teve um leve aumento, passando de R$ 19 bilhões para R$ 19,5 bilhões.
✨ O crédito em moeda estrangeira apresentou um crescimento expressivo de 70%, subindo de R$ 2,5 bilhões para R$ 4,2 bilhões.
No que diz respeito à distribuição do crédito, R$ 15,3 bilhões foram dedicados a diversos produtores, representando 29% do total. O Programa Nacional de Apoio a Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronamp) recebeu R$ 11,4 bilhões, enquanto o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) foi contemplado com R$ 9,5 bilhões. A Cédula de Produto Rural (CPR) registrou queda de 23%, totalizando R$ 12,3 bilhões.
"É uma concorrência em relação à taxa. CPR traz benefícios, mas é uma taxa livre de mercado, e muitos produtores que têm a safra atrelada ao dólar têm preferido a moeda estrangeira
Victor Hugo de Moraes explicou que a busca por alternativas de gestão de custos e proteção contra flutuações de preço tem impulsionado o uso de instrumentos financeiros complementares. Os consórcios agropecuários viram um crescimento de 23% nas vendas, somando R$ 3 bilhões com uma carteira total superior a R$ 61,8 bilhões.
Entretanto, a inadimplência na carteira agropecuária do Sicredi, que estava em 0,9% há dois anos, atingiu 3% em março de 2026, concentrando-se em grandes produtores devido à troca de maquinários e equipamentos. Moraes também destacou que, com a conclusão da Medida Provisória 1314 no primeiro trimestre de 2026, quase R$ 6 bilhões em dívidas foram renegociadas.
No segmento de seguros rurais, foram registradas 113 mil apólices, abrangendo R$ 58 bilhões destinados a benfeitorias e máquinas, e R$ 2,4 bilhões em seguro agrícola, protegendo 479 mil hectares e resultando em R$ 173 milhões em indenizações, um aumento de 30% em comparação ao ano anterior.
Embora a instituição ainda não tenha fornecido orientações sobre o próximo Plano Safra, é prevista uma continuação do cenário de juros elevados, o que deverá incentivar a busca por produtos de proteção, como derivados e seguros.
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