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Agronegócio
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Banco reduz crédito rural por endividamento e riscos climáticos

Financiamentos recuam na safra 2025/26 em meio a restrições financeiras

Gabriel Rodrigues09 de julho de 2026 às 05:10
Banco reduz crédito rural por endividamento e riscos climáticos

Pressionados pela crescente inadimplência no setor rural e pela crescente aversão ao risco devido a problemas climáticos, os bancos reduziram drasticamente a concessão de financiamentos durante a safra 2025/26. O valor total desembolsado atingiu R$ 338,9 bilhões, o que representa uma queda de 12% em relação ao ano anterior.

Este é o segundo ano consecutivo em que a liberação de crédito apresenta diminuição, afetando diretamente pequenos, médios e grandes produtores. A queda foi observada nas linhas de custeio (-13%), investimentos (-17%) e comercialização (-25%), embora a industrialização tenha registrado um crescimento de 54%.

Bancos públicos e privados diminuíram sua participação em financiamentos, enquanto as cooperativas financeiras aumentaram.

Os dados coletados pelo Banco Central mostram que a maior queda nos recursos liberados ocorreu especificamente para grandes produtores, que acessaram apenas R$ 210,1 bilhões, resultando em uma diminuição de 19% em comparação à safra anterior. Para contornar essa escassez, muitos produtores estão optando por alternativas como a emissão de Cédulas de Produto Rural (CPRs).

As concessionárias de crédito agrícola familiar e médios produtores, por outro lado, reportaram um aumento de 3% e 5%, respectivamente, recebendo R$ 67,4 bilhões através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e R$ 61,4 bilhões pelo Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp).

Contexto

O montante total liberado inclui R$ 47 bilhões destinados à renegociação de dívidas rurais, seguindo a Medida Provisória 1.314/2025. A comparação com a safra 2023/24 destaca uma diferença de quase 20%, já que nesta foram liberados R$ 421,8 bilhões.

A tendência de diminuição dos financiamentos vem sendo justificada pelo governo, que procura reforçar que os recursos estão sendo alocados através de CPRs. No entanto, Ivan Wedekin, consultor em crédito rural, afirmou que essa interpretação pode ser enganosa, pois as CPRs não são financiamentos em si, mas títulos convertidos pelos produtores.

Para 2026/27, o Ministério da Agricultura propôs R$ 38,5 bilhões para programas independentes que não se enquadram nas linhas convencionais de crédito rural. Especialistas argumentam que é fundamental considerar a realidade dos produtores que lidam com múltiplas fontes e destinos financeiros.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) observa que os bancos estão selecionando criteriosamente quem receberá crédito, resultando em um empurrão dos produtores para o mercado privado, onde a situação financeira também é complexa. A CNA prevê que a restrição no acesso a crédito poderá levar a uma redução na área plantada no país.

Além disso, com a fragilidade do financiamento, produtores estão adotando medidas mais conservadoras, optando por pacotes de tecnologia mais limitados e fazendo ajustes em suas áreas de cultivo.

Rodolfo Jordão, coordenador do ramo agropecuário da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), ressalta que o aumento nas taxas de juros e a instabilidade cambial têm contribuído para um cenário desafiador para os agricultores. Ele aponta que a tendência para a safra 2026/27 sugere uma abordagem mais cautelosa, com investimentos mais limitados e uma mudança na forma como os agricultores planejam sua expansão.

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