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Brasil
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Brasil tem 369 espécies alimentares subutilizadas em potencial nutricional

Levantamento revela biodiversidade negligenciada com impacto na alimentação

Acro Rodrigues07 de abril de 2026 às 08:15
Brasil tem 369 espécies alimentares subutilizadas em potencial nutricional

Um estudo, realizado por pesquisadores de 15 universidades e 6 instituições, identificou 369 espécies alimentares no Brasil que estão subaproveitadas, tanto nutricional quanto comercialmente. Isso inclui uma variedade de vegetais, fungos e animais, que poderiam enriquecer a dieta brasileira.

A principal autora da pesquisa, Michelle Cristine Medeiros Jacob, do laboratório de biodiversidade e nutrição da UFRN, destacou que, embora esses alimentos façam parte da biodiversidade local, o acesso a eles é limitado comparado a produtos mais comuns, como batata e milho, que dominam 60% da dieta global.

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"Esses alimentos não estão presentes na maioria das refeições, o que resulta numa dieta monótona e na negligência de opções ricas em nutrientes."

Michelle Cristine Medeiros Jacob

O estudo revelou que faltam informações nutricionais sobre muitos desses alimentos, dificultando seu consumo e inclusão na dieta da população.

O levantamento revelou que a carência de informações nutricionais sobre estes alimentos é uma das razões para seu baixo consumo. Em muitos casos, como na comunidade ribeirinha de Boa Esperança, no Amazonas, a produção de produtos como o taperebá é desperdiçada devido à falta de mercado.

Muitos agricultores, como Luiz Sérgio de Reis, relatam que mesmo ao cultivar frutas nativas como o cupuaçu e o camu-camu, o acesso ao mercado é insuficiente para garantir que toda a produção seja utilizada de maneira eficiente.

Exemplos de Alimentos Negligenciados

A mandioca, frequentemente considerada a 'rainha do Brasil', é outro exemplo. Apesar de sua popularidade, os pesquisadores notam que seu uso varia e nem sempre é aproveitada em sua totalidade, sendo frequentemente reduzida à produção de farinha.

A desnutrição, especialmente entre crianças em comunidades ribeirinhas e indígenas, é alarmante. Estudos apontam que esses índices são significativamente mais altos do que na média nacional, apesar da riqueza de nutrientes disponíveis nas espécies locais.

Um caso notável é o de Pedro Augusto Borges, que após recomendação médica começou a cultivar a araruta, um alimento nativo e negligenciado no Recôncavo Baiano. "A araruta é um legado da minha avó que lutamos para manter, mas a mão de obra escassa torna tudo mais difícil", diz Borges.

Contexto

O estudo evidencia a falta de valorização e acesso a uma diversidade de alimentos que poderiam contribuir significativamente para a dieta e saúde da população brasileira.

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