Voltar
Brasil
3 min de leitura

Pesquisas do Datafolha revelam aumento da violência contra mulheres

Estudo indica que 61% dos brasileiros consideram violência de gênero a forma mais grave de criminalidade

João Pereira01 de junho de 2026 às 08:15
Pesquisas do Datafolha revelam aumento da violência contra mulheres

Uma nova pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Movimento Mulher 360, revela que a violência contra a mulher agora é vista como a forma mais onerosa de criminalidade no Brasil, com 89% da população reconhecendo um aumento nos casos no último ano.

Violência de gênero é considerada a forma mais grave de criminalidade por 61% dos brasileiros.

O levantamento, que entrevistou 2.004 pessoas acima de 16 anos entre 6 e 11 de abril de 2026, destaca que a percepção de que a violência contra a mulher é a forma mais alarmante de crime se distingue significativamente do tráfico de drogas, que ocupa a segunda posição com apenas 16%.

Entre as mulheres, essa percepção alcança 73%, enquanto apenas 49% dos homens compartilham dessa visão. O dado é ainda mais impactante entre jovens do sexo feminino, onde 77% consideram a questão a mais grave.

Percepção de Aumento da Violência

A pesquisa revela que 89% dos entrevistados acreditam que os episódios de violência contra a mulher aumentaram nos últimos 12 meses. A taxa sobe para 94% entre mulheres e 83% entre homens. Além disso, 71% afirmam que as mulheres estão em maior risco dentro de casa do que em espaços públicos.

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, apresentados em maio de 2026, corroboram essa percepção com um aumento de 7,5% nos feminicídios no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Normalização da Violência Psicológica

Embora a violência física seja amplamente reconhecida, as agressões psicológicas e controle ainda são frequentemente minimizados. Apenas 55% dos participantes consideram como violência o controle do cônjuge sobre os passeios da parceira, e 58% reconhecem como tal o controle sobre suas amizades.

Por outro lado, 94% veem a humilhação em público como uma forma de violência, e 95% classificam a coerção sexual como inaceitável.

Relatos de Vítimas e Desconfiança nas Instituições

Um módulo de autopreenchimento revelou que 74% das mulheres já enfrentaram algum tipo de violência. As formas mais comuns incluem insultos (59%) e ameaças físicas (45%). Assediadas sexualmente, 38% relataram ter sido tocadas ou agarradas sem consentimento.

Apesar da gravidade, 37% não tomaram nenhuma medida após a agressão mais séria nos últimos 12 meses, o que pode ser explicado pela baixa confiança nas instituições: apenas 19% confiam plenamente na polícia, e 55% acreditam que as leis de proteção são insuficientes.

Culpabilização das Vítimas

Uma parte significativa, 61%, acredita que muitos incidentes de violência decorrem de decisões erradas feitas pelas mulheres ao escolherem um parceiro. Esta opinião é mais pronunciada entre aqueles com menor nível de escolaridade.

Onde Buscar Ajuda

Mulheres que enfrentam violência podem contar com a Central de Atendimento à Mulher pelo número 180, disponível 24 horas. Para emergências, o número é o 190. As Delegacias de Defesa da Mulher também são um ponto de registro de casos de violência.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de Brasil