Levantamento da revista New Scientist mostra impactos do fenômeno nos próximos meses.

Um levantamento publicado pela revista New Scientist indica que o atual El Niño, reconhecido como um dos mais intensos já documentados, terá consequências severas no clima global nos próximos meses. Este fenômeno, que provoca o aquecimento das águas do Pacífico tropical, já ocorre em um planeta que apresenta 1,4°C de aquecimento em comparação aos níveis pré-industriais.
Segundo o meteorologista Tim Stockdale, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, o aumento da umidade na atmosfera e a maior energia no sistema climático são frutos desse fenômeno. Em particular, outubro pode trazer tufões na Ásia.
✨ Estatísticas mostram que quase duas dezenas de tufões afetaram o leste asiático durante os três super El Niños anteriores.
Além disso, entre outubro e dezembro, o El Niño é esperado para provocar enchentes e secas na África, comprometendo a segurança alimentar em regiões já vulneráveis. O norte e o leste da Etiópia já enfrentam quebras de safra, e o Sudão do Sul está perto da fome, após uma das estações chuvosas mais secas já registradas entre junho e setembro.
Outros impactos incluem enchentes e deslizamentos nas Américas, especialmente no Peru, enquanto surtos de doenças como cólera e malária podem ser exacerbados pelas condições climáticas.
Nos meses seguintes, entre janeiro e abril, as consequências do El Niño podem incluir deslizamentos de terra e aumento de doenças transmitidas por mosquitos, devido à combinação de água parada e clima quente. Por outro lado, a partir de maio, a concentração de calor poderá gerar branqueamento de corais em larga escala.
Por fim, as consequências do El Niño devem culminar em ondas de calor global, aumentando as taxas de mortalidade em países vulneráveis e agravando a crise alimentar e econômica em várias regiões ao redor do mundo.
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Jornalista especializado em Clima

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