Missão científica investiga potencial mineral e amplia conhecimento sobre o fundo do mar.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) identificou novos indícios de atividade hidrotermal em uma área do fundo do Oceano Atlântico com potencial para depósitos minerais de cobre, zinco, ouro e prata. Essa descoberta preliminar foi feita durante uma expedição científica de 29 dias na Cordilheira Mesoatlântica, no Atlântico Equatorial, próxima ao arquipélago de São Pedro e São Paulo.
Os resultados da expedição, divulgados na última quinta-feira, indicaram a presença de anomalias de partículas em suspensão na água, que poderiam sinalizar fontes hidrotermais associadas à formação de depósitos minerais. No entanto, o SGB ressalta que são necessárias análises adicionais para confirmar a atividade hidrotermal e avaliar o potencial mineral dessa região.
✨ Até o presente momento, não foram encontradas jazidas economicamente viáveis.
Com essa missão, o Brasil busca aumentar o conhecimento geológico do fundo do oceano, identificar recursos naturais e reunir dados para futuras decisões sobre exploração mineral e proteção ambiental. O Diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB, Francisco Valdir Silveira, destacou que o propósito inicial não é a extração de minério, mas o entendimento das características geológicas e recursos disponíveis nas áreas investigadas.
A expedição foi realizada entre 9 de setembro e 8 de outubro, utilizando o navio de pesquisa hidroceanográfico Vital de Oliveira, fruto de uma cooperação entre a Marinha do Brasil, o SGB, a Petrobras e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Durante a jornada, os pesquisadores coletaram amostras de água e sedimentos do fundo do mar e realizaram levantamentos geofísicos para entender a estrutura geológica das áreas analisadas.
Os sulfetos polimetálicos maciços, que foram o foco das pesquisas, se formam a partir da circulação de fluidos aquecidos na crosta oceânica, levando à concentração de metais como cobre e zinco. Apesar do potencial, a presença de hidrotermais não assegura depósitos minerais em quantidades que justifiquem operações comerciais, e estudos adicionais são necessários para confirmar isso.
A pesquisa enfrenta desafios tecnológicos e ambientais, além de questões econômicas, como a extração em grandes profundidades do oceano, que requer equipamentos especiais e enfrenta obstáculos logísticos. A mineração comercial em águas profundas ainda não é uma prática consolidada internacionalmente, e a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA) continua a negociar as diretrizes para autorizar operações comerciais.
Além do potencial econômico, a expedição é parte de uma estratégia mais ampla para fortalecer a presença científica do Brasil em áreas de interesse estratégico. As informações obtidas podem apoiar futuros pedidos de exploração mineral junto à ISA. Os pesquisadores também coletaram amostras para estudos de biodiversidade através de DNA ambiental, visando aprofundar o conhecimento sobre os ecossistemas marinhos.
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