Nei Lopes lança autobiografia e celebra legado da cultura negra
Obra destaca a trajetória e contribuições do artista em defesa da memória afro-brasileira

O autor e compositor Nei Lopes, ao longo de sua carreira, tem se dedicado a explorar e documentar a presença africana na sociedade brasileira. Lançando sua autobiografia "O Robusto Menino de Irajá: Doces Lembranças, Eternas Saudades" na próxima sexta-feira, 8 de maio, no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, ele reafirma seu compromisso com a memória e a cultura afro-brasileira.
A trajetória de Lopes tem início na década de 1960, quando ingressou na Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, e percebeu a evidente exclusão racial no meio acadêmico. A vivência neste ambiente discreto e elitista instigou seu interesse pelo estudo da contribuição dos africanos e afrodescendentes na identidade nacional, um foco que culminaria em suas produções literárias e artísticas.
✨ Com 53 livros publicados, Lopes utiliza sua literatura como ferramenta de resistência contra o apagamento da presença negra.
Uma vida dedicada à arte e à memória
Depois de atuar como advogado, Lopes transitou para o universo da publicidade nos anos 70, onde começou a se afirmar como artista. Sua autobiografia discorre sobre essa transição e suas influências, especialmente do samba, gênero que considera fundamental em sua formação cultural. Desde suas primeiras composições, Lopes tem se tornado uma voz expressiva na música brasileira, criando clássicos que são referência até hoje.
Entre suas obras mais relevantes, destacam-se a "Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana", um verdadeiro compêndio das relações entre Brasil e continente africano, e "O Dicionário da História Social do Samba", coautorado com Luiz Antônio Simas, que foi premiado pelo Prêmio Jabuti. Nessa produção, Lopes evidencia a importância do samba como símbolo de resistência cultural.
"Minha biografia é uma homenagem a todos que contribuíram para a cultura afro-brasileira e uma forma de lembrar que a história é feita por todos nós
Além de sua carreira literária e musical, Lopes também se dedica ao estudo da tradição Ifá, uma espiritualidade afro-brasileira. Em 2020, publicou o livro "Ifá Lucumí: O Resgate da Tradição", onde traz ensinamentos sobre essa religião. Apesar de sua influência, ele prefere não se rotular como ativista; ao invés, deseja ser lembrado como um "homem bom".
Agora, próximo de completar 84 anos, Lopes continua ativo em suas pesquisas sobre a cultura afro-brasileira e expressa sua profunda saudade de sua recente esposa, Sonia Brilhante, acreditando que sua memória o inspira a seguir em frente.
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